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Inadimplência do crédito rural chega a 9,7% e atinge recorde no Brasil

Publicado em: 20/10/2026 15:44
Inadimplência do crédito rural chega a 9,7% e atinge recorde no Brasil
A inadimplência do crédito rural entre pessoas físicas atingiu 9,7% do saldo em agosto de 2026, o maior percentual da série histórica do Banco Central, ante 0,8% em dezembro de 2022. O estudo do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, aponta o encarecimento dos financiamentos e as mudanças nas fontes de recursos como fatores centrais para compreender o avanço dos atrasos. O Texto Ocasional para Discussão (TOD) reúne dados do Banco Central, do próprio Cepea, do IBGE e do Banco Mundial. Segundo os pesquisadores, o aumento da inadimplência não pode ser explicado apenas pelo volume de dívidas acumuladas: o custo dos financiamentos subiu, a participação de fontes privadas com juros livres aumentou e os débitos se concentraram em segmentos mais expostos às condições financeiras e de mercado. No mesmo período, a estimativa anual de juros do crédito rural subiu para R$ 99 bilhões. O levantamento identifica ampliação das fontes privadas de financiamento com taxas livres, incluindo operações lastreadas em Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), que passaram a concentrar a maior parcela do saldo em atraso, com inadimplência sensivelmente superior à dos financiamentos com taxas controladas. O estudo também destaca diferenças por atividade e por região: produtores de grãos enfrentam preços reais inferiores aos de 2021 e a pior relação de troca com fertilizantes da série analisada, enquanto estados com forte presença da produção de grãos apresentam índices de inadimplência elevados. Segundo o Cepea, a carteira problemática do crédito rural soma montante expressivo, boa parte renegociada ou prorrogada e, por isso, não refletida no indicador convencional de inadimplência. O estudo ressalta ainda que investimentos agropecuários vêm sendo financiados cada vez mais por fontes fora das linhas tradicionais de crédito rural, como recursos próprios, Cédulas de Produto Rural (CPR), fornecedores e arrendamento mercantil, o que limita a avaliação do endividamento total dos produtores. Para os autores, a resposta às dificuldades financeiras exige distinguir problemas temporários de liquidez de situações de insolvência, nas quais a capacidade de pagamento está comprometida de forma mais profunda. O estudo apresenta a análise individual das contas de cada propriedade como alternativa ao alongamento generalizado das dívidas e defende ampliar as informações disponíveis sobre endividamento rural, incluindo dados de inadimplência por finalidade do financiamento, renegociações diretas entre credores e produtores e dívidas mantidas fora do sistema financeiro.
FONTE ORIGINAL:
https://opresenterural.com.br/inadimplencia-do-credito-rural-chega-a-97-e-atinge-recorde-no-brasil
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