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Ri Happy pede recuperação extrajudicial para renegociar dívidas

Publicado em: 20/10/2026 10:49
Ri Happy pede recuperação extrajudicial para renegociar dívidas
A rede de brinquedos Ri Happy e outras cinco empresas do grupo apresentaram pedido de recuperação extrajudicial à Justiça de São Paulo para renegociar aproximadamente R$ 827,4 milhões em dívidas. Segundo o documento, credores responsáveis por R$ 308,8 milhões do total já aceitaram negociar os valores, o equivalente a 42,38% da dívida incluída no plano. O objetivo declarado é reorganizar os compromissos financeiros do grupo sem interromper suas atividades. Entre os fatores apontados pela empresa constam os impactos da pandemia de Covid-19, os juros elevados, a redução do poder de compra dos consumidores, a queda das vendas no varejo e o encarecimento do crédito. O pedido também cita a concorrência de plataformas internacionais de comércio eletrônico, como Shopee e AliExpress, além da diferença de carga tributária entre produtos vendidos no Brasil e aqueles comercializados por plataformas estrangeiras. A companhia menciona, ainda, que a recuperação econômica esperada após uma renegociação de aproximadamente R$ 292 milhões em dívidas bancárias, realizada em 2023, não se concretizou nos anos seguintes. O documento contextualiza a situação do grupo em meio às dificuldades do varejo nacional, marcado pelo encarecimento do crédito, pela retração do consumo e pela pressão sobre fornecedores, distribuidores e demais integrantes da cadeia comercial. A solicitação foi apresentada pouco mais de um mês após a aquisição do grupo pela BluSun Capital, anunciada em agosto de 2026, com Héctor Nuñez, fundador da gestora, na liderança da companhia. A Ri Happy informou que a recuperação extrajudicial integra um plano de reestruturação financeira e operacional iniciado após a mudança de controle. Segundo a empresa, lojas físicas e canais digitais continuam funcionando normalmente, e o grupo mantém os preparativos para períodos importantes do varejo, como Black Friday e Natal. A companhia afirma estar adotando medidas para melhorar a liquidez, controlar despesas e reorganizar sua estrutura de capital, além de ajustes nas equipes corporativos e de preparar uma mudança de sede. O grupo declara possuir mais de 2.600 funcionários e cerca de 292 lojas em operação no Brasil, incluindo unidades próprias das marcas Ri Happy e PBKids, além de franquias. A recuperação extrajudicial é mecanismo previsto na legislação brasileira que permite às empresas negociar diretamente com credores condições de pagamento de dívidas, podendo estabelecer novos prazos e outras alterações nas obrigações financeiras, com submissão à homologação judicial quando atendidos os requisitos legais. Para o advogado Bruno Medeiros Durão, fundador da DAP Advocacia, o resultado da reestruturação dependerá da viabilidade do plano e da capacidade da companhia de gerar recursos suficientes para cumprir os compromissos renegociados, destacando que a manutenção das lojas abertas não significa, necessariamente, disponibilidade de recursos para quitar todas as obrigações. A empresa é a segunda grande companhia do setor de brinquedos a recorrer à Justiça para reorganizar suas dívidas. Em maio de 2026, a fabricante Estrela informou ter solicitado recuperação judicial, entre cujos fatores apontados estavam juros elevados, dificuldades de acesso ao crédito e mudanças nos hábitos de consumo, com o crescimento da concorrência de jogos e entretenimento digital.
FONTE ORIGINAL:
https://juristas.com.br/noticias/ri-happy-pede-recuperacao-extrajudicial-para-renegociar-dividas
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