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Banco Central estuda limitar crédito de acordo com a renda para conter endividamento
Publicado em: 20/10/2026 07:39
O Banco Central estuda novas regras para reduzir o endividamento das famílias brasileiras, com a possibilidade de estabelecer limites para a concessão de crédito em função da renda dos consumidores. A proposta integra um conjunto de medidas que poderá impor exigências mais rigorosas às instituições financeiras, especialmente em operações de empréstimos sem garantia e cartões de crédito. As informações foram divulgadas pela agência Reuters, em reportagem de Bernardo Caram e Marcela Ayres. Procurado, o Banco Central informou que não comentaria o assunto. Entre os pontos em análise está a ampliação da responsabilidade dos bancos na avaliação da capacidade de pagamento dos clientes e o reforço da transparência das condições oferecidas antes da contratação de financiamentos. Uma das possibilidades examinadas é a adoção de um modelo regulatório que defina limites para o volume de crédito disponível a cada consumidor conforme sua faixa de renda. A autoridade monetária também estuda experiências internacionais para definir quais mecanismos poderiam ser aplicados ao mercado brasileiro. As mudanças deveriam ser implementadas gradualmente, em etapas, e um eventual aumento das exigências de capital não integraria o primeiro conjunto de medidas. As iniciativas em discussão incluem a exigência de análise mais detalhada das condições financeiras de cada consumidor, com critérios mais rigorosos para identificar o perfil do cliente e sua capacidade de assumir novas dívidas sem comprometer excessivamente o orçamento familiar. As instituições também poderão ser obrigadas a apresentar de maneira mais simples e acessível as informações sobre as operações de crédito antes da assinatura dos contratos. Segundo as fontes ouvidas pela Reuters, o Banco Central pretende incorporar aos regras brasileiras dois princípios usados em mercados financeiros mais desenvolvidos: capacidade de pagamento e adequação do crédito ao perfil do consumidor. Uma das referências analisadas é o modelo de Cingapura, que limita a concessão de crédito sem garantia conforme a renda. Pessoas com rendimento anual de até 30 mil dólares cingapurianos (cerca de R$ 119,2 mil) têm acesso a um volume de crédito sem garantia limitado a dois meses de salário; entre 30 mil e 120 mil dólares, o teto corresponde a quatro meses de remuneração; acima dessa faixa, não há a mesma limitação. As regras abrangem cartões de crédito e incluem exigências de comprovação de renda ou patrimônio. A fonte ouvida pela Reuters descreve o modelo como experiência bem-sucedida, mas ressalta que não há definição sobre parâmetros para o Brasil. As medidas ocorrem em cenário de comprometimento financeiro elevado: o endividamento das famílias alcançou 49,9% da renda acumulada nos 12 meses até julho, patamar historicamente alto, segundo dados do Banco Central citados pela Reuters. A Serasa registrou recorde de 83,9 milhões de consumidores inadimplentes. Nos últimos anos, a expansão dos serviços bancários digitais facilitou o acesso a empréstimos e cartões, reduziu custos operacionais e permitiu contratações em poucos minutos; a velocidade de aprovação e a oferta intensiva de produtos, segundo o texto, passaram a suscitar questionamentos sobre os critérios de avaliação de risco de endividamento. O endividamento também aparece no centro da disputa eleitoral de 2026. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva colocou em prática iniciativas de renegociação e perdão de dívidas para famílias e empreendedores, enquanto o candidato Flávio Bolsonaro prometeu programa de compra de dívidas pelo governo, com congelamento temporário dos débitos, caso vença a eleição. As propostas eleitorais tratam do estoque de dívidas existente, e as medidas em estudo no Banco Central concentram-se nas condições de concessão de novos financiamentos.
FONTE ORIGINAL:
https://www.brasil247.com/economia/banco-central-estuda-limitar-credito-de-acordo-com-a-renda-para-conter-endividamento
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