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Patah e Troster defendem mudanças no crédito para enfrentar a inadimplência

Publicado em: 21/10/2026 17:36
Patah e Troster defendem mudanças no crédito para enfrentar a inadimplência
Ricardo Patah, presidente nacional da UGT, e o economista Roberto Luis Troster defendem uma mudança no modelo de crédito brasileiro para enfrentar o avanço da inadimplência e melhorar a saúde financeira da população. Em artigo publicado na seção Tendências e Debates em 20 de outubro, os autores apresentam um estudo encomendado pela central sindical com recomendações para tornar a intermediação financeira mais equilibrada. Troster é doutor em economia, consultor e ex-economista-chefe da Febraban. Para os autores, ampliar o acesso a serviços bancários não basta: é necessário garantir condições para que as pessoas cumpram obrigações, enfrentem imprevistos e realizem projetos, sem transformar dinheiro e crédito em fontes permanentes de aflição. O artigo destaca que o Brasil tinha 83,7 milhões de cidadãos negativados no Serasa em junho de 2026, e que os efeitos desse quadro ultrapassam o orçamento das famílias — comprometem vendas, provocam perdas para bancos, reduzem arrecadação pública e limitam o crescimento econômico. Os autores observam que o número de negativados aumentou todos os anos desde 2021, mesmo com fatores favoráveis como crescimento do PIB, queda do desemprego e programas de renegociação de dívidas. Na avaliação deles, a conjuntura macroeconômica não explica sozinha o avanço da inadimplência: também é preciso examinar como o crédito é concedido, como seus custos são definidos e de que maneira as dívidas são cobradas. O texto descreve um mecanismo que se retroalimenta: o aumento da inadimplência leva a juros mais altos, prazos mais curtos e maiores restrições para obter empréstimos, condições que tornam o pagamento mais difícil e contribuem para novos atrasos. Para Patah e Troster, isso revela o esgotamento de um modelo de intermediação financeira ainda semelhante ao de meio século atrás, e exige equilíbrio de forças entre credores e devedores, transparência, regras claras para a definição dos custos do crédito e estrutura regulatória capaz de lidar com o superendividamento. O estudo da UGT organiza recomendações em cinco frentes: reinclusão dos negativados, regras de transparência, ajustes na tributação, atuação do Banco Central e educação financeira. Segundo o artigo, todas as medidas propostas podem ser adotadas de imediato, sem depender de aprovação do Congresso Nacional, com o objetivo de favorecer a recuperação da capacidade pagamento dos cidadãos e permitir que o crédito financie projetos, geração de renda e bem-estar. A tese central dos autores é que a dinâmica perversa do crédito no Brasil não é uma fatalidade e que enfrentar o problema exige rever escolhas institucionais que alimentam o endividamento.
FONTE ORIGINAL:
https://radiopeaobrasil.com.br/patah-e-troster-defendem-mudancas-no-credito-para-enfrentar-a-inadimplencia
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