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Brasileiros pagam seis vezes mais para quitar dívidas com garantia, diz estudo
Publicado em: 21/10/2026 10:01
Um levantamento da Paschoalotto e de sua plataforma Pagou Fácil comparou o valor médio pago em acordos de renegociação de dívidas com garantia e sem garantia no período entre janeiro de 2025 e agosto de 2026. De acordo com o estudo, consumidores que negociam compromissos vinculados a bens, como financiamentos de veículos e imóveis, desembolsam valores mais de seis vezes superiores aos pagos em acordos de cartão de crédito e compras no varejo. Em dívidas sem garantia — categoria que reúne cartão de crédito, varejo e despesas do cotidiano —, os pagamentos médios por acordo ficaram entre R$ 275 e R$ 285 no período mais recente da análise. Em meados de 2025, esse valor havia recuado para aproximadamente R$ 252. Já nas dívidas com garantia, o desembolso médio por negociação variou entre R$ 1.680 e R$ 1.940. Em agosto de 2026, último mês analisado, o valor ficou próximo de R$ 1.865. A diferença é associada no estudo a características distintas das modalidades de crédito. Dívidas de cartão e varejo costumam estar ligadas a compras e despesas recorrentes, enquanto financiamentos de imóveis e veículos envolvem compromissos de maior valor, prazos mais longos e o risco de perda do bem em caso de inadimplência. O levantamento indica que o comportamento do consumidor na renegociação depende também da natureza do compromisso financeiro, e que a possibilidade de perder um imóvel ou veículo pode influenciar a disposição para negociar o valor destinado à regularização. Para Rodrigo Zulim, CDO da Paschoalotto e do Pagou Fácil, os resultados mostram que o endividamento não pode ser analisado como uma situação uniforme. "Não existe um único brasileiro endividado, existem perfis diferentes, com necessidades diferentes. Quem deve no cartão quer resolver rápido e seguir em frente. Quem tem uma dívida com garantia está lidando com um bem que importa muito para a vida dele, e precisa de mais clareza e cuidado na negociação", afirma o executivo. O estudo foi divulgado em cenário de elevado endividamento das famílias brasileiras. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da CNC, 80,4% das famílias tinham algum tipo de dívida em março de 2026, o maior percentual da série histórica até aquele momento, com o cartão de crédito como modalidade mais citada. Segundo a Paschoalotto, negociações de dívidas sem garantia tendem a exigir processos mais rápidos e simples, enquanto contratos vinculados a bens demandam maior detalhamento das condições e tempo para avaliação das propostas — o que reforça a necessidade de estratégias distintas para recuperação de crédito conforme a modalidade.
FONTE ORIGINAL:
https://veja.abril.com.br/economia/brasileiros-pagam-seis-vezes-mais-para-quitar-dividas-com-garantia-diz-estudo
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