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Crédito rural: inadimplência de pessoas físicas chega a 9,7%, aponta Cepea

Publicado em: 21/10/2026 04:01
Crédito rural: inadimplência de pessoas físicas chega a 9,7%, aponta Cepea
A inadimplência do crédito rural contratado por pessoas físicas no Brasil, medida por parcelas vencidas há mais de 90 dias, atingiu 9,7% em agosto de 2026, maior marca da série do Banco Central, contra 0,8% em dezembro de 2022. O dado consta de estudo do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP, assinado por Lucilio R. A. Alves e Geraldo S. A. de C. Barros, com base em informações de 2013 a 2026. Segundo os pesquisadores, a alta não se explica apenas pelo tamanho da dívida: em 2025, o saldo de financiamentos equivalia a 94% da renda anual da agropecuária, dentro do intervalo de 87% a 109% observado entre 2013 e 2019. O estudo aponta como diferenciais o encarecimento do crédito, as fontes de financiamento e a concentração dos compromissos. A taxa média das novas concessões a pessoas físicas passou de 6,3% ao ano em 2021 para 12,2% em 2025, com despesa anual com juros estimada em R$ 34 bilhões e R$ 99 bilhões no mesmo período, a preços de 2025, em cálculo aproximado que não equivale ao valor efetivamente pago por todos os produtores. As operações contratadas a taxas de mercado, mais sensíveis à Selic, registravam inadimplência de 17,6% em agosto, contra 3,8% nas linhas a taxas controladas. Embora representassem cerca de 43% do saldo financiado a pessoas físicas, concentravam aproximadamente 77% do valor em atraso. O estudo também mostra que as fontes privadas com taxas livres passaram de 5% das contratações em 2013 para 47% em 2023. A carteira problemática somava R$ 205 bilhões em agosto, equivalentes a 23,8% do crédito rural registrado no Sicor. Desse total, R$ 105 bilhões estavam renegociados, R$ 31 bilhões prorrogados, R$ 21 bilhões em atraso e cerca de R$ 48 bilhões inadimplentes — cerca de três quartos do montante não integravam o saldo formalmente inadimplente. O Rio Grande do Sul concentrava R$ 44,2 bilhões em crédito problemático, com inadimplência de 3,2%; em Goiás, o índice era de 8,8%; no Maranhão e no Tocantins, superava 15%. O estudo associa a maior pressão sobre os grãos à queda de 28% nos preços reais desde 2021 e à piora da relação de troca com fertilizantes, em contraste com a situação da pecuária. A pesquisa indica ainda que 64% dos investimentos agropecuários realizados em 2025 foram financiados fora do crédito rural convencional, incluindo recursos próprios, CPRs, fornecedores e leasing, sem que os dados permitam identificar quanto dessa parcela representa dívida. A MP 1.376/2026 havia viabilizado a renegociação de R$ 5,98 bilhões até 5 de outubro, cerca de 5% do valor potencial estimado. Os autores defendem distinguir dificuldades temporárias de caixa de problemas estruturais de pagamento por meio de análises financeiras individualizadas das propriedades.
FONTE ORIGINAL:
https://feedfood.com.br/credito-rural-inadimplencia-de-pessoas-fisicas-chega-a-97-aponta-cepea
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