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BC falhou em fiscalizar Banco Master e CVM virou bode expiatório, diz ex-presidente da autarquia
Publicado em: 22/10/2026 18:00
O ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Marcelo Trindade, afirmou que a autarquia está sendo usada pelo Banco Central como "bode expiatório" no caso do Banco Master. Segundo ele, a maior brecha que o banco encontrou para crescer — até dezenas de bilhões em Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) e um balanço repleto de ativos ilíquidos que inflavam o patrimônio — estava na autoridade monetária. O Banco Central foi procurado pela reportagem e, até a publicação da matéria, não havia respondido. Para Trindade, o Banco Central falhou em fiscalizar as operações e a solvência do banco de Daniel Vorcaro, por exemplo ao não identificar os beneficiários finais dos fundos de investimento usados pela instituição nem a qualidade dos ativos que compunham o balanço. "Essas frestas não estavam na CVM. Elas estavam no Banco Central, substancialmente no Banco Central", afirmou, durante entrevista no IV Congresso de Direito de Fundos de Investimento, promovido pela Associação dos Advogados de São Paulo (AASP). O ex-presidente da CVM apontou que um dos fatores que favoreceram o problema foi a cultura de promoção da competição dentro do Banco Central, que teria deixado um racional de regulação para priorizar a competitividade no mercado — como a expansão de fintechs, do Pix e da distribuição de produtos financeiros. "Abriu muito (o escopo), tirou os olhos da regulação", disse. Trindade defende uma revisão geral da regulação, com integração entre os órgãos reguladores, e apoia o modelo de Twin Peaks, no qual a regulação financeira é dividida em uma autoridade prudencial, voltada à estabilidade sistêmica e solvência, e outra de conduta, responsável pelas regras de mercado de capitais e pela proteção de investidores e consumidores. No mesmo congresso, o painel "Estruturas de Controle nos Fundos de Investimento" discutiu como identificar o controlador de uma estrutura de fundo — formada por cotista, gestor e administrador — e sobre quem recaem eventuais imputações de responsabilidade. Julian Chediak vê o gestor como a figura que, na maioria dos casos, ocupa a posição de controlador, e considera que o Brasil tem um problema de ordem cultural em relação a fraudes e à prevenção desses delitos. Otávio Yazbek defendeu que a definição exige entender o contexto, sem fórmula pronta. No painel "Transparência e Opacidade", o superintendente de investidores institucionais da CVM, Claudio Maes, disse que não falta norma ou regulação, mas fiscalização, e que concentrar esforços em segmentos de maior risco — com foco no varejo — deixou os fundos exclusivos, onde ocorreram as fraudes recentes, fora dos holofotes da autarquia. "Agora está muito evidente que devemos olhar também para fraude e crime", afirmou, defendendo melhor integração entre reguladores. A secretária-executiva do COAF, Carolina Yumi, informou que cerca de 7,5 milhões de comunicações de operações suspeitas são feitas por ano e que, em 2025, 29 mil delas se relacionaram ao mercado financeiro em setores regulados pela CVM, das quais 1% resultam em abertura de casos. Segundo ela, a principal dificuldade é que as informações não chegam completas ao órgão, e a maioria das comunicações é defensiva e sem contexto suficiente.
FONTE ORIGINAL:
https://www.estadao.com.br/economia/bc-falhou-em-fiscalizar-banco-master-e-cvm-virou-bode-expiatorio-diz-ex-presidente-da-autarquia
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