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Inadimplência recorde do crédito rural vem do custo, da composição e da concentração da dívida, não do seu tamanho, aponta TOD do Cepea
Publicado em: 22/10/2026 09:58
Um Texto Ocasional para Discussão (TOD) do Cepea, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Esalq/USP, analisa a inadimplência recorde do crédito rural no Brasil entre 2013 e 2026, cruzando estatísticas do Banco Central, do Cepea, do IBGE e do Banco Mundial. A inadimplência do crédito rural de pessoas físicas passou de 0,8% do saldo em dezembro de 2022 para 9,7% em agosto de 2026, recorde da série do Banco Central. A conclusão do estudo é que a dívida não cresceu além da renda do setor: em 2025, a carteira de crédito rural equivalia a 94% da renda anual da agropecuária, dentro da faixa de 87% a 109% observada entre 2013 e 2019, quando a inadimplência era um terço da atual. O que mudou, segundo o documento, foi o custo, o credor e a concentração da dívida. A taxa média do crédito rural a pessoas físicas subiu de 6,3% ao ano em 2021 para 12,2% em 2025, e a conta anual de juros estimada quase triplicou, de R$ 34 bilhões para R$ 99 bilhões. O estudo aponta que o atraso se concentra nas fontes privadas com taxa livre, como a LCA, que passaram de 5% do crédito rural contratado em 2013 para quase metade em 2023 e acompanham a Selic. Essas operações concentram 77% do saldo em atraso, com inadimplência de 17,6% contra 3,8% nos juros controlados. O aperto é maior nos grãos, cujo preço real está 28% abaixo de 2021 e que enfrenta a pior relação de troca com fertilizantes da série; na pecuária, o quadro é o oposto. Outro ponto do TOD é que a taxa de inadimplência mostra apenas um quarto do problema: a carteira problemática do Banco Central somava R$ 205 bilhões em agosto de 2026, equivalente a 23,8% do crédito rural, e três quartos desse saldo estão renegociados ou prorrogados, fora da inadimplência. O documento ainda registra que parte relevante do financiamento do investimento agropecuário ocorre fora do crédito rural — recursos próprios, CPR, fornecedores e leasing —, sem que as estatísticas informem quanto disso é dívida. Para os autores, a resposta adequada não seria o alongamento generalizado, mas a separação entre liquidez e solvência, caso a caso, com base nas contas da fazenda. O estudo também lista lacunas de dados necessárias ao diagnóstico: inadimplência por finalidade, taxa de renegociações bilaterais e dívida fora do sistema financeiro.
FONTE ORIGINAL:
https://www.comprerural.com/inadimplencia-recorde-do-credito-rural-vem-do-custo-da-composicao-e-da-concentracao-da-divida-nao-do-seu-tamanho-aponta-tod-do-cepea
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