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Com estimativa de R$ 90 bi, Desenrola 3 pode superar soma dos dois primeiros programas
Publicado em: 22/10/2026 06:25
O governo federal se prepara para lançar o terceiro programa de renegociação de dívidas de inadimplentes em três anos. Com estimativa de atingir até R$ 90 bilhões em dívidas em um primeiro momento, o programa pode superar a soma dos montantes do Desenrola original e do Desenrola 2.0. Uma convocação para instituições financeiras interessadas em participar da nova versão deve ser lançada nesta quinta-feira (22). O primeiro Desenrola concentrou-se em cartão de crédito em atraso e faturas de serviços, renegociando R$ 53,2 bilhões de 14,8 milhões de pessoas entre julho de 2023 e maio de 2024, com descontos de 85% a 90%. O Desenrola 2.0, que vigorou de 4 de maio a 31 de agosto deste ano, repactuou dívidas de valor original de R$ 28,37 bilhões, com desconto próximo de 80%, resultando em débitos garantidos pelo Fundo de Garantia de Operações (FGO) de R$ 5,71 bilhões. Também está em vigor até 26 de outubro o Desenrola Adimplentes, voltado a trabalhadores informais que pagam faturas em dia. Em agosto, mês de encerramento do segundo programa, a inadimplência renovou o recorde da série histórica iniciada em 2011: 6,61% dos empréstimos com recursos livres estavam em atraso há mais de 90 dias, segundo dados do Banco Central. O UBS BB calcula que o número de pessoas negativadas nos birôs de crédito aumentou em 2,7 milhões no período, chegando a 84 milhões de brasileiros, cerca de 51% da população adulta. Anunciado ao fim de setembro, o Desenrola 3.0 previa inicialmente destinar até R$ 15 bilhões para a compra de débitos de pessoas físicas e MEIs em atraso de dois a quatro anos e meio. Na quarta-feira (21), a área econômica informou que a compra pode chegar a R$ 90 bilhões até o fim do ano, com operação pela Caixa Econômica Federal junto a instituições financeiras e desconto mínimo legal de 90% na aquisição das carteiras. Bancos privados ainda estudam se venderão suas carteiras. Segundo a consultoria Deloitte, o mercado de venda de carteiras com atraso superior a 90 dias no varejo gira em torno de R$ 50 a R$ 55 bilhões por ano e há outros R$ 600 bilhões fora do balanço dos bancos. Analistas do UBS BB avaliam a medida como positiva para os balanços bancários, mas apontam risco de incentivo à inadimplência ao estimular consumidores a adiar pagamentos na expectativa de novos programas. Especialistas em crédito e educação financeira veem os programas de renegociação como benéficos desde que pontuais e acompanhados de orientação financeira continuada, alertando para o risco moral criado por sucessivas rodadas de alívio e para a ausência de medidas sobre as causas estruturais do endividamento. Em debate na Band no domingo (18), o candidato Flávio Bolsonaro (PL) propôs comprar dívidas de inadimplentes e refinanciá-las pela Caixa com mais prazo, menor juros e carência de seis meses para pessoas físicas e um ano para pessoas jurídicas; o ministro da Fazenda, Dario Durigan, criticou a proposta e defendeu o Desenrola 3.0.
FONTE ORIGINAL:
https://www.bemparana.com.br/noticias/com-estimativa-de-r-90-bi-desenrola-3-pode-superar-soma-dos-dois-primeiros-programas
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