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Bradesco lucra + 15,6%; inadimplência cresce
Publicado em: 23/10/2026 14:30
O Bradesco foi o primeiro dos grandes bancos privados brasileiros a divulgar o balanço do terceiro trimestre de 2026. O lucro do trimestre foi de R$ 7,109 bilhões, alta de 0,8% sobre o segundo trimestre e de 14,6% sobre o mesmo período do ano anterior. No acumulado de janeiro a setembro, o lucro somou R$ 20,970 bilhões, com crescimento de 15,6% sobre igual período de 2025. A atividade bancária respondeu por 59% do lucro e os seguros, por 41%. Na carteira de crédito, os indicadores de inadimplência acima de 90 dias avançaram em todos os segmentos. Entre pessoas físicas, que representam 42,12% da carteira (R$ 1,150 trilhão), a taxa subiu de 5,5% para 5,8%. Em pequenas e microempresas — 23,7% da carteira —, o indicador foi de 4,4% para 4,8%, e nas grandes empresas — 34,4% da carteira —, de 0,2% para 0,3%. Na média geral, a inadimplência passou de 4,4% para 4,8%. As provisões para devedores duvidosos voltaram a crescer, para R$ 10,642 bilhões, superando os lucros do trimestre. Entre as explicações registradas pelo banco está a deterioração do cenário macroeconômico, com taxa de juros em patamar elevado, desaceleração da economia, comprometimento de renda elevado das pessoas físicas e condições financeiras apertadas para empresas e pessoas. O banco apontou que parte dos atrasos no segmento de MPME se concentrou em operações de capital de giro com garantia do governo federal, correspondentes a cerca de metade da evolução da inadimplência total, e citou atrasos sazonais nas operações do Banco John Deere, voltado ao financiamento de máquinas e tratores a produtores rurais, que pressionaram os indicadores de pessoas físicas. A resposta comercial descrita no balanço incluiu ajustes finos em modelos e preços e redução da exposição a clusters mais voláteis de clientes, além de maior participação de linhas com garantia na carteira — imobiliário, veículos, avais e fianças e TVMs. O custo de crédito aumentou no trimestre, com a reavaliação do risco das safras antigas, e a cobertura da movimentação de estágio 3 ficou um pouco abaixo de 100%; excluídas as linhas de capital de giro com garantia dos fundos FGI e FGO, a cobertura seria superior a 100% no trimestre e em todos os trimestres do ano. No contexto macroeconômico apresentado na mesma análise, o IPCA-15 de outubro ficou em 0,32%, com a taxa em 12 meses em 4,62%, e o barril do petróleo Brent superou US$ 117,30. O Bradesco não aderiu à terceira fase do Desenrola, e a divulgação antecipada do balanço se deu antes de Santander (28) e Itaú (3 de novembro).
FONTE ORIGINAL:
https://www.jb.com.br/colunistas/o-outro-lado-da-moeda/2026/10/1061323-bradesco-lucra-156-inadimplencia-cresce.html
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