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O agro vive uma grave crise de crédito?

Publicado em: 23/10/2026 10:06
O agro vive uma grave crise de crédito?
O economista-chefe da Farsul, Antônio Luz, descreve, em entrevista, uma situação de forte restrição de crédito no agronegócio brasileiro que, segundo ele, se estende a toda a economia nacional. O diagnóstico aponta que a restrição se concentra no crédito livre — fundamental para empresas, pessoas físicas e produtores rurais —, e não apenas no crédito direcionado, embora leituras agregadas possam sugerir crescimento no crédito total. No Rio Grande do Sul, as perdas climáticas agravam a dificuldade de acesso a financiamento, mas não a explicam isoladamente. O economista destaca que a restrição de crédito é nacional e que a situação gaúcha é agravada pelo histórico recente de safras ruins e renegociações, ressalvando que carteira pressionada por renegociações não deve ser confundida com inadimplência. Quanto aos pedidos de recuperação judicial entre produtores rurais, o economista aponta dois perfis: produtores sem alternativa e aderentes que não compreenderam plenamente as consequências do instrumento. Segundo sua avaliação, parte do mercado de serviços jurídicos apresentou a recuperação judicial como solução de financiamento, enquanto profissionais mais cautelosos a defendiam como último recurso. O uso generalizado pode encarecer o crédito e endurecer garantias para o conjunto dos produtores. A Resolução 4.966 do Banco Central, em vigor desde janeiro de 2025, alterou as regras de provisionamento das operações de crédito. Embora o economista não considere a norma um problema em si, critica a forma abrupta como parte do sistema financeiro conduziu a transição: exigências maiores de garantia e limites menores, aplicados de forma repentina, podem interromper o fluxo de caixa do produtor e, paradoxalmente, aumentar o risco de inadimplência e a dificuldade de pagamento ao longo da cadeia, afetando fornecedores, revendas, cooperativas e outros credores. O economista defende que a transição regulatória deveria ter sido gradual, com comunicação prévia, revisão negociada de garantias, limites e prazos, e combinação de linhas de crédito ou redução progressiva. Sua avaliação é que a soma de juros altos por prolongado período, menor disponibilidade de crédito, novas exigências de garantia e ciclo desfavorável de commodities agravou a crise no setor. Não considera, contudo, que o agronegócio esteja na situação mais crítica entre os setores da economia.
FONTE ORIGINAL:
https://veja.abril.com.br/coluna/diogo-schelp/o-agro-vive-uma-grave-crise-de-credito
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