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Crédito rural do Banco do Brasil cai 44% na safra 2026/27
Publicado em: 23/10/2026 09:30
O Banco do Brasil registrou queda de 44,1% nos desembolsos de financiamentos ao agronegócio no início da safra 2026/27. Entre julho e outubro, o volume liberado ficou próximo de R$ 31,6 bilhões, contra R$ 56,5 bilhões no mesmo período do ciclo anterior. A retração é mais intensa entre grandes produtores rurais e reflete o aumento da inadimplência e o maior rigor das instituições financeiras na concessão de crédito. O segmento de agricultura empresarial concentra o impacto: o volume destinado a grandes propriedades caiu aproximadamente 55%, passando de R$ 33,6 bilhões para R$ 15,1 bilhões na comparação dos primeiros 112 dias das duas últimas safras. O financiamento por meio de Cédulas de Produto Rural (CPRs) também recuou, de R$ 6,7 bilhões para cerca de R$ 3,7 bilhões. Segundo Gilson Bittencourt, vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar da instituição, o crescimento das dívidas em atraso provoca cautela em todo o sistema financeiro, afetando não apenas produtores inadimplentes, mas também clientes em dia. Já os desembolsos do Pronaf chegaram a aproximadamente R$ 8,4 bilhões no período, contra R$ 8,3 bilhões na safra anterior, o que representa crescimento de 1,7%. No Pronamp, a queda de cerca de 44% no volume acumulado desde julho — de R$ 7,9 bilhões para R$ 4,4 bilhões — é parcialmente explicada pela antecipação de aproximadamente R$ 3,9 bilhões em pré-custeio entre março e junho de 2026, fora do período oficial do Plano Safra. A desaceleração não se limita ao Banco do Brasil. Dados da Faesp com base em informações do Banco Central apontam retração de 37,8% nos desembolsos nacionais de crédito rural nos dois primeiros meses da safra, com queda de 34,4% no número de contratos. Em São Paulo, a redução foi de 46,7% no período. O Banco do Brasil mantém a previsão de liberar R$ 210 bilhões em financiamentos para o agronegócio durante a safra 2026/27, com R$ 170 bilhões destinados à agricultura empresarial e R$ 40 bilhões para agricultores familiares e médios produtores — crescimento de cerca de 0,5% em relação ao desembolso da safra anterior. A instituição espera que modalidades como industrialização ganhem maior participação a partir de fevereiro, mas o ritmo dos próximos meses será determinante para avaliar se a retração inicial será compensada ao longo do ciclo.
FONTE ORIGINAL:
https://ncnews.com.br/2026/10/23/credito-rural-banco-do-brasil-queda-44
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