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Melhora na confiança do consumidor em outubro não muda perspectiva desfavorável, avalia FGV
Publicado em: 26/10/2026 13:42
Após cinco quedas consecutivas, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) subiu 0,5 ponto em outubro, para 84,7 pontos, maior pontuação desde julho, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV). O economista Rodolpho Tobler classificou a alta como uma “oscilação natural” após período prolongado de quedas, e não como retomada da confiança nem como reversão da tendência negativa do indicador. Para o economista, a magnitude do avanço é pequena e o indicador continua em faixa inferior a 90 pontos, terreno negativo, já que o quadrante favorável do índice está acima de 100 pontos. Na sua avaliação, a confiança segue muito mais no pessimismo do que no otimismo. Entre os dois componentes do ICC, o Índice de Expectativas subiu e o Índice de Situação Atual caiu. Em leitura do economista, isso mostra que o consumidor não visualiza melhora na situação presente em termos de condições de consumo. Também chamou atenção a piora percebida pelos consumidores na avaliação de finanças pessoais: o indicador de situação financeira atual das famílias recuou a menor nível desde janeiro, e o indicador de situação econômica local atual caiu a menor nível desde março de 2025. Esses resultados ocorrem em contexto em que as famílias ainda operam com altos patamares de endividamento e de inadimplência, o que reduz espaço para consumo. A melhora da confiança não foi puxada por famílias de menor renda: nas quatro faixas de renda pesquisadas, o ICC caiu entre famílias com os menores ganhos mensais. Tobler lembrou que a alta anterior nesse grupo pode ter sido influenciada pelo anúncio de reajuste de programa de transferência de renda e que a elevação não se sustentou, o que pode representar sinal de alerta para próximos desempenhos do indicador. Mesmo com o aumento, os sinais do ICC de outubro apontam para ímpeto menor de consumo das famílias em comparação com períodos anteriores. O economista não descarta novas altas do indicador, citando a perspectiva de queda na taxa básica de juros (Selic) e o recebimento de valor maior em programa de transferência de renda, mas não acredita que a intenção de consumo ao fim de 2026 seja tão forte quanto a observada ao término de anos anteriores.
FONTE ORIGINAL:
https://valor.globo.com/brasil/noticia/2026/10/26/melhora-na-confiana-do-consumidor-em-outubro-no-muda-perspectiva-desfavorvel-avalia-fgv.ghtml
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