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Endividamento com entrada parcelada e juros altos trava crédito imobiliário e construtoras no Estado

Publicado em: 26/10/2026 10:15
Endividamento com entrada parcelada e juros altos trava crédito imobiliário e construtoras no Estado
A combinação entre o elevado comprometimento do orçamento familiar, juros altos e o parcelamento da entrada pelas construtoras transformou o crédito imobiliário em ponto de atenção na economia de MS. Embora a prestação bancária respeite as margens legais de comprometimento da renda, o acúmulo do financiamento com o boleto da entrada parcelada, o chamado crédito pró-soluto, provoca um choque no fluxo de caixa do comprador após a entrega das chaves. Esse duplo compromisso colide com as despesas do dia a dia, elevando a inadimplência e degradando o score do consumidor. Sob a ótica da proteção ao crédito, o endividamento imobiliário não decorre de calote prévio, mas da sobreposição de obrigações no curto prazo: quando o comprador assume a prestação bancária e os boletos da entrada, a renda perde flexibilidade, e o atraso na entrada afeta o histórico no Cadastro Positivo e restringe o acesso a outras linhas de crédito no comércio e nos bancos. O representante do SPC Brasil e presidente da CDL Campo Grande, Adelaido Figueiredo, explica que a inadimplência na entrada nasce do estrangulamento financeiro que ocorre assim que a família ocupa o imóvel: o consumidor prioriza a parcela bancária para não perder a moradia, mas deixa de honrar a entrada e o cartão de crédito. Para mitigar esse risco, o SPC Brasil desenvolveu soluções baseadas em inteligência analítica e no Cadastro Positivo, como score comportamental multissetorial e modelos preditivos de propensão à inadimplência, que cruzam o comportamento de pagamento do consumidor em vários setores antes da aprovação do negócio. Na visão da economista Aline Moreira, o risco assumido pelas construtoras ao financiar a entrada sem garantias reais representa ameaça à saúde financeira da cadeia da construção civil. Enquanto os bancos contam com a alienação fiduciária do imóvel como garantia, a construtora não possui mecanismo de retomada do bem caso o comprador interrompa o pagamento da entrada parcelada. Essa ausência de garantia deixa as empresas vulneráveis à falta de caixa, reduzindo a capacidade de investimento e a continuidade de obras, com impacto na compra de insumos, na manutenção de empregos e nas contratações. A conjuntura de juros elevados também impõe barreiras ao acesso à moradia: segundo Aline Moreira, a Selic alta encarece o financiamento e exige maior entrada, forçando parcelamentos estendidos, e a solução para conter a inadimplência passa por educação financeira e pela redução dos juros. Diante do cenário, a integração entre análise preditiva de crédito e planejamento financeiro é apresentada como caminho para garantir o acesso à moradia em Mato Grosso do Sul.
FONTE ORIGINAL:
https://oestadoonline.com.br/economia/endividamento-com-entrada-parcelada-e-juros-altos-trava-credito-imobiliario-e-construtoras-no-estado
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