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Endividamento das famílias bate recorde em 21 anos

Publicado em: 27/10/2026 16:47
Endividamento das famílias bate recorde em 21 anos
O Banco Central divulgou o Relatório de Estabilidade Financeira do primeiro semestre de 2026, que aponta o comprometimento da renda das famílias brasileiras com o pagamento de dívidas no maior nível dos últimos 21 anos. Segundo o documento, mesmo com desemprego em queda e salário médio em alta, a capacidade de pagamento segue se deteriorando. O relatório classifica 20,3 milhões de pessoas como "endividados de risco" em junho, alta de 75% em relação a junho de 2021. O grupo representa 17% dos devedores do Sistema Financeiro Nacional, contra 9,7% cinco anos antes e 16,5% em dezembro de 2025. O critério do BC combina dois indicadores: comprometer mais de 50% da renda com dívidas e ficar, após o pagamento, com renda abaixo da linha da pobreza. Os ativos problemáticos da carteira de pessoas físicas — créditos com atraso superior a 90 dias ou com indícios de não pagamento integral — chegaram a 9,2% da carteira em junho, após pico de 9,3%, contra 6,3% em 2021. A piora alcançou todas as modalidades no primeiro semestre, com recorde da série em cartão de crédito (13,2%, fechando junho em 12,7%), crédito rural (10,3%), veículos (8,5%) e consignado (5,0%). O crédito pessoal não consignado registra a maior taxa entre as linhas, em 14,9%, abaixo, porém, do pico de 16,5% de 2016. Pelo critério da CNC, o endividamento bateu recorde por sete meses consecutivos em 2026, chegando a 82% das famílias com algum tipo de dívida em agosto, recuando para 81,7% em setembro, quando a inadimplência cedeu para 29,6%. A Serasa Experian contabiliza 83,9 milhões de consumidores inadimplentes, com R$ 586,5 bilhões em dívidas negativadas, média de cerca de quatro dívidas e R$ 6.987,23 por CPF. Entre os fatores registrados pelo relatório está a Selic, com meta em 13,75% ao ano, piso que define o custo do crédito no país. O documento também reconhece efeito de mudança de regra: desde janeiro de 2025, a Resolução 4.966 do CMN deixou aos bancos a decisão sobre quando dar uma dívida como perdida, o que mantém operações em atraso por mais tempo nos balanços. O BC estima que, sem essa mudança, a inadimplência do sistema seria 0,78 ponto percentual menor em junho — cerca de 45% da alta registrada desde dezembro de 2024 —, ressalvando que a inadimplência teria subido mesmo com as regras antigas. A dívida bruta do governo geral atingiu 82,9% do PIB em agosto, maior nível em cinco anos. O relatório registra ainda que a autoridade monetária estuda medidas macroprudenciais para linhas de maior risco, com o objetivo de reduzir o superendividamento, e que publicou três normas voltadas ao crédito ao público financeiramente mais vulnerável, entre elas a exigência de autorização prévia e inequívoca do cliente em maior vulnerabilidade para oferta ativa de crédito. O Banco Central avaliou que "não há risco relevante para a estabilidade financeira", citando provisões elevadas e níveis confortáveis de capital e liquidez nos bancos, mas afirmou que "a materialização de risco aumentou e deve continuar pressionada no curto prazo". As estimativas de probabilidade de inadimplência apontam ativos problemáticos elevados na maioria das modalidades ao longo de 2026, e os bancos sinalizam crédito mais restrito às famílias no segundo semestre. O texto também menciona o mutirão de negociação bancário a partir de 1º de novembro, com alongamento de prazos, redução de taxas e migração para modalidades mais baratas, além da lei que limita a 100% os juros acumulados do rotativo do cartão. Entre os canais de recurso citados estão o consumidor.gov.br, o Procon e o Programa Desenrola.
FONTE ORIGINAL:
https://www.zatum.com.br/noticia/43251/endividamento-das-familias-bate-recorde-em-21-anos
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