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BC prepara medidas para endividados no rotativo e com dívidas em atraso

Publicado em: 27/10/2026 15:32
BC prepara medidas para endividados no rotativo e com dívidas em atraso
O Banco Central pretende anunciar ainda em 2026 novas medidas para consumidores que já enfrentam dificuldades para pagar dívidas. O presidente da instituição, Gabriel Galípolo, afirmou que as próximas iniciativas devem mirar pessoas que usam com frequência o rotativo do cartão ou acumulam atrasos. As regras aprovadas na semana anterior têm outro foco: reduzir ofertas inadequadas de empréstimos e ajudar o consumidor a avaliar o impacto de uma nova dívida. Elas não renegociam débitos existentes nem alteram os juros cobrados, e Galípolo não detalhou o conteúdo das medidas adicionais. O Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central aponta que 20,3 milhões de pessoas estavam em situação de endividamento de risco em junho, alta de 75% em relação ao mesmo mês de 2021, o que equivale a 17% dos tomadores de crédito do sistema financeiro. O indicador combina atraso no pagamento, comprometimento elevado da renda com dívidas, renda restante muito baixa e uso simultâneo de modalidades de crédito — portanto, não significa que todos estejam inadimplentes. A parcela da renda familiar destinada ao pagamento de dívidas atingiu o maior nível em 21 anos, e os créditos em atraso ou com sinais de dificuldade de pagamento chegaram ao maior patamar desde 2012 na maioria das modalidades. O BC relaciona a situação ao uso de linhas mais caras, como cartão de crédito e empréstimo pessoal sem garantia. Apesar da piora entre as famílias, a instituição afirma que o sistema financeiro mantém capital e liquidez suficientes para enfrentar cenários adversos e que não há risco relevante à sua estabilidade. Uma das novas resoluções, com vigência prevista para 31 de março de 2027, obriga bancos e outras instituições a oferecer um mecanismo claro para o cliente bloquear propagandas e ofertas individuais de crédito. Para consumidores considerados vulneráveis ou com sinais de endividamento excessivo, a oferta dependerá de autorização prévia e específica. Nesses casos, as instituições poderão oferecer renegociação, portabilidade ou troca por uma modalidade mais vantajosa, mas não crédito novo. A regra não impede o cliente de pesquisar empréstimos por iniciativa própria. A partir de 1º de julho de 2027, as instituições deverão oferecer um painel digital com as dívidas do cliente, o comprometimento da renda, simulações dos custos de novas operações e alertas de risco — entre eles, quando as parcelas comprometerem 40% da capacidade mensal de pagamento. No início, o painel reunirá as dívidas contratadas na própria instituição; a consulta a informações de outras instituições, por meio do Sistema de Informações de Crédito e do Open Finance, está prevista para uma etapa posterior e depende das regras de compartilhamento de dados e do consentimento do cliente. Outra resolução, também com vigência prevista para julho de 2027, estabelece limites para ofertas de empréstimos durante a iniciação de pagamentos pelo Pix: o consumidor terá de autorizar esse tipo de oferta, deve haver intervalo mínimo de 24 horas entre a habilitação e a primeira proposta, e a norma proíbe ofertas superiores ao valor da transferência e em transações agendadas ou destinadas a saque.
FONTE ORIGINAL:
https://veja.abril.com.br/economia/bc-prepara-medidas-para-endividados-no-rotativo-e-com-dividas-em-atraso
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