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Crédito das famílias piora e acende alerta no Banco Central

Publicado em: 27/10/2026 15:24
Crédito das famílias piora e acende alerta no Banco Central
O Banco Central divulgou o Relatório de Estabilidade Financeira referente ao primeiro semestre de 2026, segundo o qual a situação do crédito das famílias brasileiras piorou e deve continuar pressionada nos próximos meses. Os ativos problemáticos — operações com atraso ou com sinais de dificuldade de pagamento — aumentaram e atingiram o maior nível desde 2012 na maioria das modalidades de crédito às famílias, com a inadimplência como principal fator desse avanço. Entre os indicadores que chamam atenção está o comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas, que alcançou o maior nível dos últimos 21 anos. Ainda assim, o Banco Central afirma não identificar risco relevante para a estabilidade financeira, sustentando que o Sistema Financeiro Nacional mantém níveis confortáveis de capitalização e liquidez e provisões consideradas adequadas para cobrir perdas esperadas. O relatório registra desaceleração na concessão de crédito diante de juros elevados, condições financeiras mais restritivas e moderação da atividade econômica. Entre as famílias, a perda de ritmo ocorre principalmente em operações de maior risco; nas empresas, a desaceleração atinge especialmente micro, pequenas e médias empresas. O Banco Central também identifica maior cautela das instituições na concessão de novos empréstimos, com leve melhora de qualidade nas operações destinadas às empresas. Em sentido contrário, o cartão de crédito mantém ritmo elevado de expansão e sinais de maior propensão ao risco. Mesmo com a piora dos indicadores, a autoridade monetária considera o sistema financeiro resiliente e capaz de enfrentar cenários econômicos adversos, com base em testes de estresse de capital e de liquidez. A rentabilidade registrou recuo no período, e pesquisa do Banco Central mostra que 73% das instituições consultadas estão muito ou totalmente confiantes na resiliência do sistema. Entre as principais preocupações apontadas pelas instituições estão o risco fiscal e a possibilidade de aumento da inadimplência caso os juros permaneçam elevados por período prolongado. Para o Banco Central, o aumento do endividamento das famílias e a piora dos indicadores de crédito exigem maior cautela na concessão de empréstimos, com avaliação de medidas voltadas principalmente aos segmentos de maior risco, no sentido de incentivar uma oferta mais responsável de crédito e reduzir situações de superendividamento. O relatório aborda ainda crédito consignado privado, segurança dos arranjos de pagamentos, incidentes cibernéticos e a exposição do sistema financeiro aos riscos relacionados à natureza.
FONTE ORIGINAL:
https://contec.org.br/credito-das-familias-piora-e-acende-alerta-no-banco-central
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