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Por que a dívida das famílias no Brasil bateu recorde desde 2012
Publicado em: 27/10/2026 13:50
Os ativos problemáticos do crédito às famílias atingiram o maior nível desde 2012 em quase todas as modalidades, segundo o Banco Central, com a inadimplência apontada como principal motor da alta, que já corresponde a 9,2% da carteira de pessoas físicas. O indicador inclui créditos com mais de 90 dias de atraso ou com indícios de que não serão pagos integralmente e chegou a 9,3% em maio, pico da série, contra um fundo histórico de 6,3% registrado em 2021. No 1º semestre, quatro linhas bateram recorde da série: cartão de crédito (12,7%), crédito rural (10,3%), veículos (8,5%) e consignado (5,0%). O crédito pessoal não consignado é o mais caro de se pagar em atraso, com taxa de 14,9%. O comprometimento da renda das famílias com dívidas alcançou o maior nível em 21 anos, mesmo com desemprego em queda e salário médio em alta, e, em junho, 20,3 milhões de pessoas eram consideradas "endividadas de risco", 75% a mais que em 2021. Parte do aumento dos ativos problemáticos é atribuída a efeito contábil: desde 2025, a Resolução 4.966 deixou a cargo dos bancos decidir quando dar uma dívida como perdida, o que mantém operações em atraso por mais tempo nos balanços. Segundo o BC, essa mudança explica cerca de 45% da alta observada desde dezembro de 2024, mas a inadimplência teria subido de qualquer forma, mesmo sem a nova regra. O avanço das apostas online, alvo de disputa judicial sobre a proibição no STF, também é citado como fator de pressão sobre o orçamento das famílias. A Confederação Nacional do Comércio mediu em julho o maior endividamento da série histórica da Peic, que acompanha o tema desde 2010: 82% das famílias endividadas. Em setembro, o indicador recuou pela primeira vez no ano, para 81,7%, com a inadimplência caindo a 29,6%. O Idec critica a resposta do governo, considerando que política pública construída às pressas, sem debate amplo com a sociedade, tende a reproduzir limitações já conhecidas. Para o instituto de defesa do consumidor, o novo programa de renegociação repete o padrão do Desenrola Brasil anterior (2023/2024), cujo efeito sobre a inadimplência foi limitado e de curta duração, por atuar apenas no estoque de dívidas, sem mudar a dinâmica que leva famílias a se endividar de novo. O Desenrola 3.0 passou a comprar a dívida diretamente dos bancos, mudando a estratégia em relação às edições anteriores, e o próprio BC já havia alertado que a dívida no cartão de crédito pode dobrar em 8 meses sem pagamento. O ponto em aberto, segundo o Idec, é saber se comprar a dívida direto dos bancos resolve o problema estrutu
FONTE ORIGINAL:
https://tvsimbrasil.com.br/brasil/economia/noticia/2026/10/27/por-que-divida-das-familias-bateu-recorde
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