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Dívidas de difícil recuperação atingem maior nível desde 2012 e preocupam Banco Central
Publicado em: 27/10/2026 12:21
O volume de créditos considerados problemáticos nas operações com famílias brasileiras atingiu o maior nível desde 2012, segundo relatório divulgado pelo Banco Central. O avanço da inadimplência e o comprometimento crescente da renda dos consumidores aumentam os riscos para o sistema financeiro, e a situação também preocupa no setor empresarial, onde parte das companhias enfrenta dificuldades cada vez maiores para honrar seus compromissos. O levantamento aponta que a capacidade de pagamento de famílias e empresas permanece pressionada. Entre os consumidores, o comprometimento da renda alcançou o patamar mais elevado dos últimos 21 anos, com efeitos especialmente intensos sobre a população de menor renda. O Banco Central classifica como ativos problemáticos os empréstimos e financiamentos com atraso superior a 90 dias, além de operações que apresentam indícios de que não serão integralmente pagas. De acordo com o relatório, a inadimplência foi o principal fator responsável pelo aumento desses créditos, e as estimativas da autoridade monetária indicam que a pressão deve continuar na maioria das modalidades de financiamento durante o segundo semestre de 2026. O BC também analisou os efeitos das mudanças nas regras de baixa de créditos considerados prejuízo, implementadas em 2025. Segundo a instituição, mesmo sem essas alterações, a inadimplência teria aumentado: em junho, a taxa de inadimplência do sistema financeiro teria sido 0,78 ponto percentual menor caso permanecessem os critérios anteriores, diferença que representa aproximadamente 45% da elevação de 1,76 ponto percentual registrada desde dezembro de 2024. No setor empresarial, o Banco Central identificou aumento no número de companhias que registram lucros líquidos menores e despesas financeiras líquidas mais elevadas, combinação que reduz a capacidade de absorver dificuldades financeiras e aumenta a vulnerabilidade das empresas diante de seus compromissos com bancos e outras instituições credoras. Outro ponto destacado envolve o crédito consignado destinado aos trabalhadores do setor privado: embora o volume de concessões tenha crescido, a modalidade apresenta níveis de risco superiores aos observados em linhas tradicionalmente consideradas mais arriscadas, como o crédito pessoal sem garantias. A autoridade monetária avalia que dificuldades operacionais podem estar contribuindo para o aumento dos atrasos, já que parte relevante dos contratos inadimplentes pertence a trabalhadores que continuam empregados ou retornaram ao mercado formal, situação em que o desconto das parcelas na folha deveria funcionar como mecanismo de redução do risco. O relatório aponta ainda que a rentabilidade do sistema bancário brasileiro diminuiu no primeiro semestre de 2026, com bancos públicos sob maior pressão por riscos associados a crédito rural e crédito pessoal.
FONTE ORIGINAL:
https://plox.com.br/noticia/27/10/2026/dividas-dificil-recuperacao-banco-central
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