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Apesar de desaceleração, ABFintechs vê espaço para consignado CLT crescer, diz líder de GT
Publicado em: 27/10/2026 10:14
O líder do grupo de trabalho de Crédito ao Trabalhador da ABFintechs, Jonatas Giovinazzo, afirmou que o crédito consignado CLT deve continuar crescendo, ainda que com ritmo desacelerado nos últimos meses. Dados do Banco Central mostram que, após pico de R$ 10,9 bilhões em concessões em março, o volume caiu para patamares menores: R$ 8,8 bilhões em agosto, patamar semelhante ao de julho. Ainda assim, o montante concedido é quase seis vezes maior que os níveis anteriores ao lançamento da modalidade, que ficavam em torno de R$ 1,5 bilhão por mês. Giovinazzo atribuiu o crescimento acelerado inicial à migração de trabalhadores do setor privado para o novo produto e avaliou que ainda há espaço: há entre 10 e 11 milhões de CPFs no consignado em um universo de 39 milhões de trabalhadores formais. Segundo ele, a etapa de captação de novos nomes deve se encerrar à medida que o programa ganha conhecimento, e a expansão futura passará a depender mais de qualidade de crédito e de análise mais apurada pelas instituições. Entre os fatores apontados estão o custo de capital, mais alto para as fintechs por usar estruturas de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs); o mercado de trabalho, que afeta não apenas o nível de emprego, mas a manutenção do vínculo empregatício; e a efetividade das garantias, como FGTS e verbas rescisórias, cuja execução em larga escala ainda não foi testada. Enquanto não houver segurança de que esses mecanismos funcionem na prática, as instituições teriam mais dificuldade de incorporá-los aos modelos de risco. O especialista também destacou a atuação das fintechs no atendimento de perfis antes pouco alcançados pelo modelo anterior de consignado, baseado em convênio com a empresa empregadora: trabalhadores com restrição de crédito, renda de um a dois salários mínimos e empregados de pequenas e médias empresas. No plano operacional, Giovinazzo citou a disciplina sobre o empregador, apontando que parte relevante do risco vem de empresas que descontam a parcela do salário, mas não repassam os recursos à instituição financeira, ou que simplesmente não efetuam o desconto. A Lei 15.179/25 atribui à inspeção do trabalho a verificação do cumprimento das obrigações e prevê multa em caso de falta de repasse; a associação aguarda a regulamentação pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Quanto ao revínculo automático em trocas de emprego, a operacionalização já ocorre para trocas futuras, mas a automatização de parcelas já atrasadas depende de trabalho da Dataprev. Sobre inadimplência, que chegou a 10,6% em agosto após piso de 5% em novembro do ano passado, Giovinazzo citou questões operacionais, rotatividade dos trabalhadores e assimetria de informação, considerando o prazo legal de 10 dias para o empregador comunicar o desligamento. A expectativa é de continuidade da elevação nos próximos meses e, depois, estabilidade, com o revínculo automático ajudando a conter a alta, sem efeito sobre a inadimplência passada. Nas taxas de juros, entre 54% e 59% ao ano desde o início do programa, ele vê espaço para redução, apontando também a discussão sobre o teto de 1,99% ao mês para operações com garantia de FGTS, considerado baixo demais pelo custo de captação das fintechs.
FONTE ORIGINAL:
https://www.jota.info/tributos-e-empresas/mercado/apesar-de-desaceleracao-abfintechs-ve-espaco-para-consignado-clt-crescer-diz-lider-de-gt
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