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CNI corta previsão do PIB para 1,6% e vê inflação maior
Publicado em: 28/10/2026 15:49
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reduziu de 2% para 1,6% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 e elevou suas estimativas de inflação, projetando também um avanço expressivo da dívida pública até o encerramento do ano. Os números integram o Informe Conjuntural do terceiro trimestre. Segundo a entidade, o desempenho mais fraco da indústria de transformação e do setor de serviços deve limitar o crescimento econômico, embora agropecuária e indústria extrativa apresentem resultados positivos. A manutenção dos juros em níveis elevados continua pressionando consumo, investimentos e condições financeiras de empresas e famílias. A indústria registrou a maior revisão negativa: a projeção de expansão da atividade industrial em 2026 caiu de 2% para 1,3%, e a indústria de transformação passou de crescimento de 0,6% para queda de 0,7%. A CNI associa o resultado a demanda interna mais fraca, custos de produção elevados, condições de financiamento desfavoráveis e maior concorrência de produtos importados. A indústria extrativa deve crescer 9,1%, e a construção, 1,5%, sustentada por investimentos em infraestrutura e pelo programa Minha Casa, Minha Vida. Segundo a entidade, os segmentos menos dependentes do consumo doméstico têm perspectivas mais favoráveis, enquanto os mais sensíveis ao crédito — indústria de transformação, comércio e parte dos serviços — enfrentam maiores dificuldades. No mercado de trabalho, a CNI projeta crescimento de 1,2% da população ocupada em 2026, com desemprego recuando de 5,3% para 5% ao final do ano e crescimento de 4,6% da massa de rendimento real frente a 2025, pressionada pela menor disponibilidade de trabalhadores. No campo fiscal, a entidade estima crescimento real de 4,6% das despesas federais e avanço de 5,9% na arrecadação em 2026. Mesmo com o aumento das receitas, o governo federal fecharia o ano com déficit primário de R$ 54,6 bilhões (0,4% do PIB); considerando as exclusões permitidas para o cumprimento da meta fiscal, o resultado indicaria superávit de R$ 12,6 bilhões (0,1% do PIB), diante de cerca de R$ 67,3 bilhões em precatórios e outras despesas fora do cálculo. A projeção é de que a dívida bruta suba mais de 5 pontos percentuais do PIB em um ano, de 78,6% para 83,7%. A CNI revisou para 5,15% a projeção de inflação medida pelo IPCA em 2026, contra 4,26% em 2025, com pressões em alimentos, serviços e preços administrados como energia elétrica e combustíveis. Diante disso, a entidade espera cortes de 0,25 ponto percentual na Selic em cada uma das duas reuniões restantes de 2026, encerrando o ano em 13,25% ao ano — patamar que, na sua avaliação, mantém juros reais próximos de 9%, quase o dobro da taxa neutra estimada em 5%, restringindo a atividade econômica. No comércio exterior, as exportações devem crescer 10,3%, para US$ 386,7 bilhões, e as importações alcançar US$ 309,4 bilhões, gerando superávit de US$ 77,3 bilhões.
FONTE ORIGINAL:
https://bpmoney.com.br/mercado/cni-corta-previsao-do-pib-para-16-e-ve-inflacao-maior
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