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20,3 milhões de brasileiros estão em endividamento de risco, diz o BC

Publicado em: 28/10/2026 15:07
20,3 milhões de brasileiros estão em endividamento de risco, diz o BC
O Banco Central contabilizou 20,3 milhões de brasileiros em situação de endividamento de risco em junho de 2026, alta de 75% em cinco anos, segundo o Relatório de Estabilidade Financeira. O número equivale a 17% dos devedores do Sistema Financeiro Nacional. O relatório aponta que os ativos problemáticos das famílias — operações em atraso ou com sinais de dificuldade — chegaram ao maior nível desde 2012 na maioria das modalidades, e que o comprometimento de renda com dívidas é o maior em 21 anos. A classificação de devedor de risco não equivale a inadimplência: o consumidor entra na conta quando atende a pelo menos dois de quatro critérios — atraso superior a 90 dias, mais de 50% da renda mensal comprometida, uso simultâneo de cheque especial, crédito pessoal sem consignação e rotativo do cartão, ou renda remanescente abaixo da linha de pobreza. O critério indica maior vulnerabilidade financeira, e um consumidor com conta atrasada pode não estar no grupo. O comprometimento da renda com cartão de crédito subiu em todas as faixas salariais. A faixa de até dois salários mínimos, com 61,2 milhões de pessoas, é a mais pressionada: 42% da renda vai para dívidas, dos quais 15% para o cartão. Na faixa acima de dez salários mínimos, o comprometimento é de 18,6%. O Banco Central estima que a pressão sobre a capacidade de pagamento continue no segundo semestre, mas não vê risco relevante para a estabilidade financeira, citando capitalização e liquidez confortáveis nos bancos. O presidente do Banco Central afirmou que o órgão prepara novas medidas contra ofertas agressivas de crédito, com prioridade para consumidores que já usam o rotativo do cartão ou têm atrasos relevantes, e apontou crescimento pouco sensível a preço no crédito sem garantia — cartão, cheque especial e empréstimo pessoal não consignado. Na sexta-feira, 23, o BC aprovou as resoluções 601, 602 e 603, que limitam ofertas inadequadas: para clientes vulneráveis ou em risco de superendividamento, a oferta de crédito dependerá de autorização prévia, específica e inequívoca, e só poderão ser oferecidas renegociação e portabilidade, sem dinheiro novo. O bloqueio de ofertas passa a valer em 31 de março de 2027; painéis de dívidas e limites para ofertas em transações pelo Pix entram em vigor em julho do mesmo ano. No Distrito Federal, os canais oficiais indicados são o Procon-DF, pelo telefone 151, para reclamações sobre serviços de instituições financeiras, como cobrança indevida e fraude; o Consumidor.gov.br, para queixas contra bancos e financeiras pela internet; e o Desenrola 3.0, que compra dívidas de até R$ 10 mil com atraso de 720 a 1.645 dias de cartão e crédito pessoal sem consignação, com leilão previsto para novembro.
FONTE ORIGINAL:
https://soubrasilia.com/endividamento-de-risco-20-3-milhoes-brasileiros-banco-central-ref-outubro-2026
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