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Bancos recuam no crédito de maior risco com avanço das dívidas problemáticas no Brasil

Publicado em: 28/10/2026 13:11
Bancos recuam no crédito de maior risco com avanço das dívidas problemáticas no Brasil
O avanço do endividamento das famílias brasileiras ocorre em paralelo a maior cautela dos bancos na concessão de empréstimos, sobretudo nas modalidades de maior risco. Segundo dados de agosto do Banco Central, os juros do crédito livre às pessoas físicas chegaram a 61,7% ao ano. O Relatório de Estabilidade Financeira aponta que 20,3 milhões de brasileiros estavam em situação de endividamento de risco em junho de 2026, com os ativos problemáticos — operações com atrasos ou outros indícios de dificuldade de pagamento — atingindo o maior nível desde 2012 na maioria das modalidades de crédito às famílias. Em agosto, as concessões de crédito livre para pessoas físicas somaram R$ 346,6 bilhões, queda de 2,1% em relação a julho na série sem ajuste sazonal. Considerando os efeitos sazonais, as concessões totais às famílias cresceram 0,7% no mês. Na Pesquisa Especial de Crédito, a Febraban estimou que a carteira de crédito das famílias tenha crescido apenas 0,1% em setembro, após avanço de 0,8% em agosto, com projeção de crescimento anual de 9,7%, abaixo dos 10,5% registrados anteriormente. O comprometimento de renda difere por faixa de pagamento: entre quem recebe até dois salários mínimos, 42% dos rendimentos mensais são destinados ao pagamento de dívidas, ante 18,6% para quem ganha mais de dez salários mínimos. Em agosto, a taxa média do crédito livre às pessoas físicas subiu 1,4 ponto percentual em relação a julho e 2,9 pontos percentuais na comparação anual. O Banco Central avalia que o Sistema Financeiro Nacional mantém capacidade de absorver perdas, com base em níveis de capital, liquidez e provisões das instituições, ao mesmo tempo em que demonstram menor disposição para assumir riscos na concessão de crédito. A Febraban relacionou a desaceleração do crédito ao ambiente de política monetária restritiva e identificou sinais de piora na qualidade da carteira das famílias. O texto ressalta que juros elevados e desaceleração das concessões não demonstram, por si só, que todos os consumidores estejam enfrentando condições mais rigorosas de aprovação, nem permitem medir diretamente quantos pedidos de financiamento foram recusados. O Banco Central deve divulgar as estatísticas oficiais de crédito de setembro em 29 de outubro, permitindo confrontar as projeções da Febraban com os resultados efetivos.
FONTE ORIGINAL:
https://economicnewsbrasil.com.br/2026/10/28/restricao-de-credito-bancario
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