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Endividamento de risco cresce 75% em 5 anos

Publicado em: 28/10/2026 11:42
Endividamento de risco cresce 75% em 5 anos
O endividamento de risco avançou 75% em cinco anos, segundo relatório do Banco Central. O documento diferencia endividado de inadimplente: ter dívidas ativas não implica atraso no pagamento. Para caracterizar endividamento de risco, o BC exige a combinação de pelo menos dois de quatro critérios — inadimplência superior a 90 dias, comprometimento de mais da metade da renda mensal com dívidas, renda restante abaixo da linha da pobreza após o pagamento dos débitos e uso simultâneo de cheque especial, crédito pessoal sem consignação e crédito rotativo. O peso das dívidas no orçamento é maior entre brasileiros de baixa renda. Quem ganha até dois salários mínimos compromete 42% da renda mensal com pagamentos, dos quais 15% da renda vão para o cartão de crédito. Essa faixa reúne 61,2 milhões de tomadores de crédito no Sistema Financeiro Nacional e concentra um perfil associado a modalidades de alto custo, como cartão de crédito e empréstimos pessoais sem consignação — modalidades cuja participação cresceu com mais intensidade entre consumidores de menor renda, aponta o relatório. Entre quem ganha acima de dez salários mínimos, o comprometimento da renda com dívidas é de 18,6%, em um grupo de 4,4 milhões de tomadores com pagamentos mais ligados a financiamentos imobiliários e de veículos, de prazos mais longos. O relatório ainda identifica 22,3 milhões de tomadores entre dois e cinco salários mínimos e 7,5 milhões entre cinco e dez salários mínimos. Na série histórica de junho, a proporção de tomadores em endividamento de risco passou de 9,7% em 2021 para 13,1% em 2022 e 13,8% em 2023, recuou para 13,4% no ano seguinte e voltou a subir até alcançar 17%. Em relação à oferta de crédito, o Banco Central observa que a frequência de propostas em canais digitais pode estimular a contratação de empréstimos sem planejamento, sobretudo entre consumidores de menor renda, que recebem em média nove ofertas digitais de crédito por mês. A instituição estuda medidas para reduzir riscos associados à concessão e à forma como os produtos são oferecidos. O relatório trata também da modalidade Crédito do Trabalhador, criada para empréstimos consignados a trabalhadores do setor privado. O saldo de operações inadimplentes nessa linha chegou a R$ 6,1 bilhões no último dado do período, com parte associada a trabalhadores que perderam o emprego e outra parcela a pessoas demitidas que conseguiram nova colocação formal.
FONTE ORIGINAL:
https://avozdocampo.com/economia/endividamento-de-risco-cresce-75-em-5-anos
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