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Superendividamento atinge 20,3 milhões de brasileiros, diz Banco Central

Publicado em: 28/10/2026 11:20
Superendividamento atinge 20,3 milhões de brasileiros, diz Banco Central
O comprometimento da renda das famílias brasileiras com o pagamento de dívidas atingiu, em junho de 2026, o maior nível em 21 anos, com 20,3 milhões de pessoas em situação de superendividamento. O quadro consta do Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central e reflete a combinação de juros elevados, maior participação de modalidades caras de crédito e capacidade de pagamento limitada, sobretudo entre consumidores de menor renda. Segundo o relatório, a deterioração pode restringir o consumo, elevar as perdas dos bancos e dificultar o acesso a novos empréstimos. Em cinco anos, o contingente de superendividados cresceu 75% e passou a representar 17% do total de devedores do sistema financeiro, ante 9,7% em junho de 2021. O indicador não equivale necessariamente a inadimplência em todas as operações: ele busca identificar maior vulnerabilidade financeira, considerando capacidade de pagamento e comprometimento de renda, e não apenas o volume de dívida. A pressão é desigual por faixa de renda — cerca de 42% da renda mensal está comprometida com dívidas entre quem recebe até dois salários mínimos, 35% na faixa de dois a cinco salários, 31% entre cinco e dez e 19% acima desse patamar. A composição do endividamento mostra a participação elevada de produtos caros: o cartão de crédito absorve, em média, 13,2% da renda dos tomadores, seguido pelo crédito não consignado (8,1%), consignado (7,7%), financiamento de veículos (3,5%) e crédito habitacional (3%). O relatório também aponta que consumidores de menor renda recebem, em média, nove ofertas digitais de crédito por mês, o que pode estimular novas contratações justamente entre quem tem menor margem financeira. A autoridade monetária identifica trajetória de alta do comprometimento de renda desde dezembro de 2023. A ampliação do consignado privado, pelo programa Crédito do Trabalhador, não se traduziu em substituição expressiva de dívidas mais caras: em média, apenas 7,6% do valor contratado foi usado para reduzir saldos de empréstimos bancários mais caros, e somente 14% dos tomadores direcionaram mais de 80% do valor para amortizar outras dívidas. A inadimplência da carteira do programa chegou a 7,5%, com saldo inadimplente de R$ 6,1 bilhões em junho — dos quais 42% correspondem a trabalhadores ainda empregados com falhas operacionais de pagamento, 19% a desligados que já conseguiram novo emprego formal e 39% a desligados sem retorno ao mercado formal. Na qualidade da carteira, os ativos problemáticos somavam 9,2% dos empréstimos a pessoas físicas em junho. As provisões do Sistema Financeiro Nacional equivaliam a 7% da carteira total de crédito, com cobertura de 1,05 vez a perda esperada; nos bancos digitais, as provisões representavam 13% da carteira, com cobertura de 1,15 vez. O relatório não aponta risco imediato ao sistema financeiro, mas reconhece efeitos econômicos do número crescente de famílias com dificuldade de pagar obrigações. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que pretende anunciar medidas adicionais de crédito em 2026, com foco em pessoas com atrasos significativos em modalidades caras, usando boas práticas internacionais e a literatura disponível.
FONTE ORIGINAL:
https://viva.com.br/dinheiro/superendividamento-atinge-203-milhoes-de-brasileiros-diz-banco-central.html
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