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Banco Central quer novas medidas contra o superendividamento ainda este ano

Publicado em: 28/10/2026 10:48
Banco Central quer novas medidas contra o superendividamento ainda este ano
O Banco Central deve anunciar novas medidas para conter ofertas agressivas de crédito e o superendividamento ainda neste ano, informou o presidente do banco, Gabriel Galípolo. As medidas vêm após a divulgação do Relatório de Estabilidade Financeira do BC, que mostrou o aumento do endividamento do povo brasileiro. De acordo com o relatório, o número de brasileiros em situação de endividamento de risco — conceito que identifica consumidores com alto nível de vulnerabilidade financeira, em que o volume de dívidas ultrapassa a capacidade real de pagamento — chegou a 20,3 milhões em junho de 2026, alta de 75% nos últimos cinco anos. O contingente representa 17% dos devedores do Sistema Financeiro Nacional. Segundo Galípolo, as próximas iniciativas devem priorizar consumidores que já utilizam o crédito rotativo do cartão ou apresentam atrasos significativos no pagamento das dívidas. O presidente do BC destacou a preocupação com pessoas que já enfrentam juros elevados e dificuldades financeiras e apontou o crescimento de modalidades de crédito sem garantia, como cartão de crédito, cheque especial e empréstimo pessoal não consignado, mesmo em um cenário de juros elevados, em cenário de crescimento pouco sensível a preço. Para classificar um consumidor como endividado de risco, o BC considera quatro critérios, sendo necessário atender a pelo menos dois: atraso superior a 90 dias no pagamento de parcelas de crédito; comprometimento de mais de 50% da renda mensal com dívidas; uso simultâneo de cheque especial, crédito pessoal sem consignação e crédito rotativo; e renda restante após o pagamento das dívidas abaixo da linha de pobreza. A classificação não significa que todos os 20,3 milhões estejam inadimplentes, mas indica maior vulnerabilidade financeira. O relatório mostra ainda que o comprometimento da renda com dívidas no cartão aumentou em todas as faixas salariais, chegando a 42% da renda entre quem recebe até dois salários mínimos em junho de 2026. Na semana passada, o Banco Central anunciou medidas para restringir ofertas inadequadas de crédito e ampliar a transparência na contratação de empréstimos. As instituições financeiras deverão oferecer mecanismos para bloquear publicidade e propostas ativas de crédito; para consumidores considerados vulneráveis ou em risco de endividamento excessivo, as ofertas dependerão de autorização prévia, específica e inequívoca. As regras de bloqueio entram em vigor em 31 de março de 2027, e outras medidas, previstas para julho do mesmo ano, incluem painéis digitais com informações sobre dívidas e limites para ofertas de empréstimos durante transações iniciadas pelo Pix.
FONTE ORIGINAL:
https://atribunarj.com.br/materia/banco-central-quer-novas-medidas-contra-o-superendividamento-ainda-este-ano
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