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Famílias brasileiras enfrentam maior nível de dificuldades para pagar dívidas desde 2012
Publicado em: 28/10/2026 09:37
O Banco Central do Brasil divulgou edição do Relatório de Estabilidade Financeira (REF) indicando que o volume de dívidas das famílias com problemas de pagamento atingiu o maior patamar da série histórica desde 2012. O indicador de ativos problemáticos — operações de crédito com atraso superior a 90 dias ou com evidência objetiva de não liquidação integral — alcançou o pico de 9,3% da carteira de crédito a pessoas físicas, encerrando junho de 2026 em 9,2%, contra o mínimo de 6,3% registrado em 2021. A deterioração alcançou todas as linhas de crédito ao consumidor no primeiro semestre, com quatro modalidades renovando máximas históricas da série do BC. O cartão de crédito atingiu recorde de 13,2% e fechou junho em 12,7%; o crédito pessoal não consignado registrou a taxa mais elevada do sistema, em 14,9%, embora abaixo do pico de 16,5% de 2016; o crédito rural alcançou 10,3%; o financiamento de veículos, 8,5%; e o crédito consignado subiu para o teto da série, em 5,0%. A autoridade monetária atribuiu parte do avanço registrado nos balanços à entrada em vigor da Resolução CMN nº 4.966, vigente desde janeiro de 2025. As novas regras contábeis transferiram às próprias instituições financeiras a prerrogativa sobre o momento de reconhecer a operação inadimplente como perdida (write-off), fazendo com que créditos em atraso permaneçam retidos por mais tempo nos balanços antes do cancelamento contábil. O BC estima que, sob a regra antiga, a taxa de inadimplência do sistema seria 0,78 ponto percentual menor em junho, o que responde por aproximadamente 45% do aumento acumulado desde dezembro de 2024, ressaltando que a inadimplência apresentaria trajetória de alta mesmo sob o regime regulatório anterior, impulsionada por fatores econômicos. Mesmo com mercado de trabalho aquecido — desemprego em queda e rendimento médio em alta —, o comprometimento da renda das famílias com o serviço da dívida atingiu o nível mais elevado em 21 anos, com maior severidade na população de baixa renda exposta a modalidades sem garantia real. Em junho de 2026, o contingente de devedores classificados pelo BC como “endividados de risco” alcançou 20,3 milhões de pessoas, equivalente a 17% do total de tomadores do sistema financeiro nacional, salto de 75% em relação a junho de 2021. O relatório sinaliza que a materialização de risco aumentou e deve continuar pressionada no curto prazo, com as estimativas de probabilidade de inadimplência indicando ativos problemáticos elevados na maioria das modalidades ao longo de 2026. Como resposta, o Banco Central estuda medidas macroprudenciais direcionadas às linhas de crédito sem garantia e de maior risco, incluindo exigências prudenciais de capital mais severas para coibir o superendividamento e o reforço da análise da capacidade de pagamento dos tomadores. Apesar do diagnóstico de deterioração na ponta do consumidor, a autoridade concluiu que não há risco relevante para a estabilidade financeira do país: os bancos operam com níveis confortáveis de liquidez e capital regulatório e elevaram de forma preventiva o volume de provisões para devedores duvidosos (PDD) para absorver eventuais perdas de crédito nos próximos trimestres.
FONTE ORIGINAL:
https://businessmoment.com.br/familias-brasileiras-enfrentam-maior-nivel-de-dificuldades-para-pagar-dividas-desde-2012
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