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De Raízen a Casas Bahia: 15 empresas tentam reestruturar dívidas em 2026

Publicado em: 28/10/2026 05:00
De Raízen a Casas Bahia: 15 empresas tentam reestruturar dívidas em 2026
Em 2025, o Brasil registrou 977 processos de recuperação judicial, envolvendo 2.466 CNPJs, recorde da série histórica da Serasa Experian. Em 2026, o dado mais recente do indicador, referente a maio, aponta 65 processos com 237 CNPJs envolvidos. A lista de empresas que recorreram à recuperação judicial ou extrajudicial neste ano inclui nomes de diversos setores, como energia, petroquímica, varejo, saúde, supermercados, restauração, brinquedos, móveis, eletrodomésticos e crédito. Especialistas ouvidos pela reportagem observam que juros altos e crédito caro pressionam empresas que dependem de capital para manter estoques e financiar operações, mas consideram que o ambiente econômico não explica sozinho todas as crises. Para Leandro Guissoni, professor da FGV, o maior peso está no erro estratégico; para o contador Altair Heitor, o caixa que deixa de comportar compromissos é resultado da crise, não necessariamente sua origem, podendo decorrer de endividamento para expansão, perda de margem ou demora na adaptação operacional. Os casos destacados têm características distintas: a Raízen reestrutura cerca de R$ 61,4 bilhões em dívidas financeiras com plano homologado que prevê conversão de créditos em ações e aumento de capital; a Braskem negocia US$ 10,9 bilhões em reestruturação exclusivamente financeira; e as Casas Bahia declararam passivo de R$ 17,3 bilhões em recuperação judicial aceita pela Justiça em outubro, com negociação do plano ainda em curso. Outras empresas listadas incluem Oncoclínicas (R$ 5,7 bilhões), GPA (R$ 4,6 bilhões em créditos sem garantia real), Grupo Euro17 (R$ 1,72 bilhão e mais de 5 mil credores, incluindo investidores pessoas físicas com debêntures privadas), Ruiz Coffees (R$ 775 milhões), Grupo Toky (R$ 1,1 bilhão), Alliança Saúde (R$ 1,1 bilhão), Ri Happy e PBKids (R$ 827,4 milhões), St. Marché, Grupo Gennius (R$ 265,2 milhões), Marabraz (R$ 140 milhões), CVLB (R$ 1,71 bilhão) e Grupo Estrela (R$ 109,2 milhões). Especialistas recomendam analisar cada caso por seus próprios fatores. Guissoni sugere separar os segmentos de negócios na avaliação e discute a diferença entre ajustes incrementais e mudanças radicais de modelo, citando como exemplos a transformação digital do Magazine Luiza iniciada com fôlego financeiro e a mudança de modelo da Amazon para marketplace. Heitor aponta indicadores como relação entre vendas, financiamento ao consumidor, recebimentos e estoque no varejo, qualidade dos recebíveis na saúde e rentabilidade por canal na restauração, alertando para a diferença entre Ebitda e dinheiro disponível. Boris observa que planos com descontos elevados e prazos muito longos, sem mudanças operacionais, podem apenas adiar a crise. Heitor destaca a necessidade de demonstrar como a empresa atravessará a transição pós-renegociação, além de segurança jurídica e previsibilidade tributária e regulatória, e aponta o possível efeito do split payment sobre o capital de giro.
FONTE ORIGINAL:
https://forbes.com.br/forbes-money/2026/10/de-raizen-a-casas-bahia-15-empresas-tentam-reestruturar-dividas-em-2026
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