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Endividamento de risco dispara 75% e atinge 20,3 milhões de brasileiros
Publicado em: 28/10/2026 02:36
O Banco Central divulgou que o Brasil chegou a 20,3 milhões de pessoas em situação de endividamento de risco em junho de 2026, avanço de 75% em cinco anos. Esse grupo já representa 17% de todos os devedores do Sistema Financeiro Nacional. O crescimento ocorre em ambiente de juros elevados e de expansão de modalidades de crédito que preocupam a autoridade monetária. Cartões de crédito, cheque especial e empréstimos pessoais sem desconto em folha estão entre as principais fontes de pressão sobre o orçamento dos consumidores. O peso das dívidas é especialmente elevado entre os brasileiros que recebem até dois salários mínimos: em junho, esse grupo destinava 42% da renda ao pagamento de compromissos financeiros, com as dívidas de cartão de crédito consumindo 15% dos rendimentos. Entre quem recebe mais de dez salários mínimos, o comprometimento total chegava a 18,6%, menos da metade do percentual observado na faixa de menor renda. O Banco Central considera endividado de risco o consumidor que se enquadra em pelo menos dois de quatro critérios: pagamentos atrasados há mais de 90 dias; comprometimento superior a 50% da renda com dívidas; utilização simultânea de modalidades de crédito de maior risco; ou renda disponível inferior à linha de pobreza depois do pagamento das parcelas. A classificação não abrange automaticamente todos os brasileiros que possuem financiamentos ou empréstimos, identificando situações em que a combinação de dificuldades financeiras e exposição ao crédito representa maior ameaça à capacidade de pagamento. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a instituição pretende adotar ainda em 2026 medidas para conter práticas agressivas de oferta de crédito. A partir de 31 de março de 2027, as instituições financeiras deverão permitir que clientes bloqueiem ofertas ativas de empréstimos e outras modalidades; para consumidores considerados vulneráveis ou sujeitos ao endividamento excessivo, as ofertas dependerão de autorização prévia. As instituições também deverão priorizar alternativas como renegociação e portabilidade de dívidas, em vez de estimular a contratação de novos compromissos financeiros.
FONTE ORIGINAL:
https://40graus.com.br/endividamento-risco-20-milhoes-brasileiros
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