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Juro alto e consumo fraco pressionam varejo no quarto mandato de Lula, dizem analistas

Publicado em: 28/10/2026 02:00
Juro alto e consumo fraco pressionam varejo no quarto mandato de Lula, dizem analistas
O varejo brasileiro entra no quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sob pressão de juros altos por mais tempo e consumo fraco, combinação apontada por analistas de BTG Pactual, JPMorgan e Citi como redutora simultânea de lucro e valor de mercado das redes. O endividamento das famílias equivale a 49,8% da renda disponível, com o pagamento de dívidas consumindo 29,3% dela, entre os maiores níveis da série histórica, segundo relatório de analistas de varejo e consumo do BTG. O histórico mostrado pela equipe indica que as vendas costumam acompanhar a expansão do crédito às famílias, e que juros mais altos tornam o crédito mais caro e escasso, freando o consumo de bens não essenciais. Dados do Banco Central divulgados em 29 de setembro indicam crédito às famílias em expansão, mas com juros e atrasos maiores: a taxa média de juros do crédito livre subiu 1,4 ponto percentual no mês, para 61,7% ao ano, e a inadimplência dessa carteira chegou a 8%, alta de 1 ponto percentual em 12 meses. O comprometimento de renda com o pagamento de dívidas ficou em 28,7%, o maior nível da série. Os números do IBGE de agosto já indicavam perda de ritmo nas vendas: o volume do comércio varejista variou 0,1% ante julho na série com ajuste sazonal, após recuo de 0,8% no mês anterior, e o varejo ampliado recuou 0,2%. Segundo o economista Alberto Ramos, do Goldman Sachs, os setores mais dependentes de crédito tiveram retração de 1,5% no mês, contra avanço de 0,2% dos ligados à renda. O segmento de móveis e eletrodomésticos recuou 4,2% pelo segundo mês seguido. A reação ao segundo turno derrubou as ações do setor em 33% no pregão seguinte, com o Magazine Luiza liderando as perdas, com recuo de 58%. A equipe do BTG projeta a Selic em 12,5% ao fim de 2027 e calcula que cada ponto percentual a mais reduz o lucro esperado daquele ano em 10% no Assaí, 8% no Magazine Luiza e 4% na Pague Menos. O P/L projetado para 2027 do setor recuou para 6,5 vezes, menos da metade da mediana histórica de 15 vezes. No cenário de concentração digital, a participação do comércio eletrônico nas vendas do varejo subiu de 4% em 2016 para 12,4% em 2025, com Mercado Livre, Shopee e Amazon concentrando 84,5% do tráfego de marketplaces. A Casas Bahia figura em recuperação judicial, enquanto o varejo alimentar pode ser sustentado pela proibição das apostas online e pelo reajuste do Bolsa Família. Para os analistas do BTG, no ambiente atual a capacidade de gerar lucro sem depender de retomada do consumo deve pesar mais que o desconto nos múltiplos ao separar vencedores e perdedores do setor.
FONTE ORIGINAL:
https://www.bloomberglinea.com.br/negocios/juro-alto-e-consumo-fraco-pressionam-varejo-no-quarto-mandato-de-lula-dizem-analistas?outputType=amp
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