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Dívidas de famílias em atraso com bancos batem novo recorde em setembro, mostra BC
Publicado em: 29/10/2026 20:32
As dívidas em atraso das pessoas físicas no crédito voltaram a bater recorde em setembro, segundo dados do Banco Central, registrando a maior marca da série histórica e a quarta alta mensal consecutiva. O índice de inadimplência alcançou 8,1% para pessoas físicas, alta de 0,1 ponto percentual em relação a agosto e expansão de 1,2 ponto percentual em 12 meses. O indicador mede dívidas em atraso há mais de 90 dias sobre o estoque total de empréstimos e considera o crédito livre, cujas taxas são fixadas livremente pelos bancos, como cheque especial e financiamento de veículos. O nível de endividamento das famílias em relação à renda também atingiu patamar recorde de 50,1% em agosto, alta de 0,2 ponto percentual em relação ao mês anterior e de 1,2 ponto percentual em 12 meses. O indicador de comprometimento do orçamento familiar para pagamento de dívidas subiu de 28,8% para 29%. Ainda no crédito livre, a inadimplência do cheque especial avançou 0,5 ponto percentual, enquanto o rotativo do cartão de crédito recuou na mesma proporção, mas mantém juros elevados: alta de 6,8 pontos percentuais em relação a agosto, totalizando 451,7% ao ano, dentro de regra do BC que limita as dívidas no cartão a no máximo 100% do valor inicial. A tendência de alta da inadimplência permanece no crédito consignado, para aposentados, pensionistas e consignado privado. No crédito direcionado — que inclui financiamento imobiliário, microcrédito, crédito rural e financiamentos via BNDES —, a inadimplência recuou 0,2 ponto percentual para pessoas físicas. Nas concessões, houve salto de R$ 4,7 bilhões em agosto para R$ 8,7 bilhões em setembro em aposentados e pensionistas, explicado pelo fim da regra que limitou a margem consignável em setembro; no consignado do setor privado, a concessão recuou 7,7% em setembro, com alta de 154% em 12 meses. Apesar do ciclo de redução da Selic, atualmente em 13,75% ao ano, as taxas de juros bancários voltaram a subir em agosto e setembro, após três meses de queda. Em setembro, o juro médio cobrado pelas instituiuções financeiras para pessoas físicas e empresas foi de 32,4% ao ano, alta de 0,2 ponto percentual no mês. O chefe do departamento de estatísticas do BC afirmou não ser possível dizer se é nova tendência de aumento ou ajuste pontual, destacando que a relação de transmissão da política monetária para a taxa de crédito não é direta e que pode haver flutuação no processo de redução. O endividamento foi tema da campanha eleitoral, e o governo estrutura um novo Desenrola, no qual a União comprará a dívida antiga das famílias com os bancos, com estimativa de negociação de até 15 milhões de brasileiros e R$ 150 bilhões. No fim de setembro, o Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), do Banco Central, falou em endividamento em patamar historicamente alto, e o BC anunciou medidas que visam proteger consumidores contra abusos nas ofertas de crédito e conferir mais transparência antes da contratação de empréstimos. Segundo economista da 4Intelligence, os índices parecem ganhar fôlego adicional, com trajetória de alta desde junho, e o comprometimento de renda permaneceu alto em agosto mesmo na vigência do Desenrola 2, contrariamente ao esperado; nessa etapa foram renegociados R$ 28,3 bilhões de dívidas de quem ganhava até cinco salários mínimos, e no Desenrola 1, de 2023, R$ 53 bilhões em dívidas bancárias e contas de serviços públicos.
FONTE ORIGINAL:
https://jornaldebrasilia.com.br/noticias/economia/inadimplencia-das-familias-com-bancos-volta-a-bater-recorde-em-setembro-mostra-bc
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