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Consumo dos lares brasileiros sobe 2,70% no acumulado de 2026, aponta Abras
Publicado em: 29/10/2026 15:04
O consumo nos lares brasileiros acumulou alta de 2,70% entre janeiro e setembro de 2026, segundo levantamento da Abras, resultado praticamente estável frente ao crescimento de 2,71% registrado até agosto. Na comparação anual, o indicador avançou 0,59% em setembro, enquanto na leitura mensal houve recuo de 1,46%, interrompendo dois meses consecutivos de alta. Os dados são ajustados pelo IPCA e cobrem estabelecimentos de todos os portes, de pequenos mercados de bairro a grandes redes. A entidade aponta o mercado de trabalho como um dos fatores de sustentação do consumo. No trimestre encerrado em agosto, a taxa de desocupação ficou em 5,3%, com 103,5 milhões de pessoas ocupadas — o maior patamar da série histórica. O rendimento médio real habitual de todos os trabalhos alcançou R$ 3.777, alta de 3,7% em relação ao mesmo período de 2025, e a massa de rendimento real habitual chegou a R$ 385,6 bilhões, igualmente recorde. Transferências públicas e pagamentos judiciais também figuraram entre os elementos citados para a circulação de recursos: o Bolsa Família transferiu R$ 13,04 bilhões em setembro para cerca de 19,3 milhões de famílias; o Conselho da Justiça Federal liberou R$ 3,22 bilhões aos TRFs para pagamento de RPVs, beneficiando mais de 278 mil pessoas; e 521,9 mil restituições do Imposto de Renda completaram o quadro. A isenção tributária sobre itens da cesta básica, incluindo proteínas, foi destacada como medida que pode favorecer a manutenção das compras. Entre os riscos sinalizados pela Abras está o endividamento das famílias, citado explicitamente pelo vice-presidente da entidade ao lado da preocupação com eventuais novas alíquotas sobre outros produtos, que poderiam elevar custos ao consumidor e comprometer parte dos efeitos positivos da desoneração. A entidade também defendeu a manutenção da proibição das apostas esportivas on-line, argumentando que a medida direciona recursos das famílias ao consumo e que, após a medida, as vendas de alimentos cresceram 6,5% entre 5 e 11 de outubro de 2026 e 6,3% entre 12 e 18 de outubro, em comparação anual. Quanto à tributação e à regulação do trabalho, o setor supermercadista manifestou cautela com as mudanças relacionadas ao fim da escala 6×1 e à redução da jornada, lembrando que foi considerado atividade essencial durante a pandemia e receando desorganização da cadeia de abastecimento. Segundo a entidade, esses fatores — endividamento doméstico, tributação e custos operacionais — podem influenciar o comportamento do consumo nos próximos meses.
FONTE ORIGINAL:
https://bpmoney.com.br/economia/consumo-nos-lares-alta-270-ate-setembro-abras
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