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A indústria que começa a lucrar com a quebradeira das empresas brasileiras
Publicado em: 29/10/2026 15:00
Fundos especializados em comprar dívidas de empresas em dificuldades, muitas vezes por uma fração do valor original, registram ganhos expressivos enquanto a inadimplência de companhias no Brasil atinge níveis recordes. O negócio consiste em adquirir créditos problemáticos com descontos suficientemente elevados para compensar riscos e custos de recuperação, obtendo retorno por meio de acordos com o devedor, execução de garantias, venda de ativos ou reestruturações empresariais. A Polo Capital informou que a reavaliação de um crédito do Polo Recuperação de Crédito III teve impacto positivo estimado em 592,6% do patrimônio líquido do fundo. O comunicado não identificou a empresa devedora nem revelou o valor atualizado do ativo. A Axios Capital, gestora focada em créditos inadimplidos e disputas judiciais, relatou que os seis casos integralmente encerrados de sua carteira produziram retorno médio de 1,62 vez o capital investido. Até junho, a companhia havia recuperado 30,6% do capital total alocado, e a cota sênior do FIDC Axios NPL acumulava valorização de 45,31%. A Root Capital registrou rentabilidade de 17,16% em 2026, até outubro, em seu fundo Special Situations III. A Möbius Capital informou valorização de aproximadamente 101% em trinta meses para o fundo Total Return I, segundo dados divulgados em maio. A estratégia da gestora inclui créditos problemáticos e outros investimentos alternativos; em operações envolvendo direitos judiciais, já havia devolvido aos investidores o equivalente a 42% do capital aplicado em menos de quatro anos. A empresa prepara um novo fundo com capacidade de captação de até 1 bilhão de reais. O contexto de mercado sustenta o interesse por esses ativos. Em agosto, o número de empresas inadimplentes no Brasil atingiu o recorde de 9,3 milhões, com dívidas negativadas de 244,4 bilhões de reais, segundo a Serasa Experian. Um levantamento da Deloitte projeta que o volume de créditos inadimplidos vendidos a investidores alcance 52,3 bilhões de reais em 2026, alta de 73% frente aos 30,2 bilhões de reais negociados em 2025 entre os participantes da pesquisa. Entre os compradores consultados, 77% esperam ampliar seus investimentos no mercado nos próximos anos. Há distinção relevante entre valorizar uma carteira e efetivamente recuperar dinheiro: o caso da Polo envolve atualização contábil baseada em documentação e laudos, sem confirmação de ingresso imediato de recursos no caixa do fundo. Nem todos os gestores obtêm retornos positivos: o NPL Brasil I acumulava perda de 5,76% em 2026, até setembro. A combinação de ganhos elevados, perdas expressivas e a nova onda de empresas endividadas posiciona o segmento em fase de realização de investimentos feitos em crises anteriores, ao mesmo tempo em que novas carteiras são montadas.
FONTE ORIGINAL:
https://veja.abril.com.br/economia/a-industria-que-comeca-a-lucrar-com-a-quebradeira-das-empresas-brasileiras
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