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Bancos públicos sustentam crédito no Brasil sob endividamento recorde, diz Goldman

Publicado em: 29/10/2026 14:20
Bancos públicos sustentam crédito no Brasil sob endividamento recorde, diz Goldman
Bancos públicos e linhas de crédito patrocinadas pelo governo federal devem sustentar a concessão de empréstimos no Brasil nos próximos meses, em um cenário marcado por juros básicos elevados, economia mais lenta, inadimplência em alta e endividamento recorde das famílias. A avaliação é do economista Alberto Ramos, do Goldman Sachs, em relatório divulgado nesta quinta-feira. O diagnóstico parte de um setembro fraco: a concessão de crédito recuou 2,2% em termos reais e com ajuste sazonal ante agosto, com queda de 4,3% nas operações com empresas e de 6,2% no crédito direcionado às famílias, segundo dados do Banco Central compilados pelo banco americano. O endividamento das famílias chegou a 50,1% da renda disponível em agosto, alta de 1,18 ponto percentual em um ano, e o serviço da dívida consumiu 29% dessa renda — recordes segundo o Goldman. A inadimplência acima de 90 dias no crédito livre às pessoas físicas subiu para 8,1% em setembro, ante 7,1% em dezembro. A taxa média cobrada das famílias avançou 0,6 ponto, para 62,4% ao ano, e a das empresas subiu 0,4 ponto, para 24,4%. A sustentação esperada ainda não aparece nos dados recentes. O crédito dos bancos públicos cresceu 3,1% em 12 meses até setembro, descontada a inflação, abaixo dos 4,4% das instituições privadas; a fatia estatal no total recuou 0,2 ponto, para 41,4%. As linhas direcionadas também desaceleraram: para as empresas, o ritmo anual caiu de 13,2% em agosto para 9,9% em setembro, embora essas operações ainda representem 43,7% do crédito da economia. Em termos reais, o estoque total de crédito cresceu 3,9% em 12 meses, com avanço de 5,1% para pessoas físicas e de 1,9% para empresas. O crédito bancário equivalia a 55,5% do PIB em setembro, 0,8 ponto acima de um ano antes. A política monetária apertada ganhou pressão adicional após a eleição presidencial: no dia seguinte à votação, o Ibovespa caiu 13,88% e os juros futuros subiram mais de 260 pontos-base, com o mercado passando a precificar alta da Selic já em novembro. Em teleconferência do Bank of America, clientes internacionais perguntaram sobre risco de uso político e intervenção em preços em estatais, além do compromisso do governo com o arcabouço fiscal. Entre bancos de médio porte, relatório do Citigroup aponta balanços sólidos no terceiro trimestre, mas com ritmos distintos. O Banco Mercantil deve crescer pouco, com o consignado do INSS compensando a fraqueza do consignado privado, e o Desenrola deve reduzir o custo de risco para cerca de 6%. O Banco ABC deve manter provisões estáveis, enquanto o Agibank terá o ganho de margem parcialmente anulado por crédito mais lento e provisões maiores, levando o Citi a cortar o preço-alvo da ação de US$ 16 para US$ 11.
FONTE ORIGINAL:
https://www.bloomberglinea.com.br/mercados/bancos-publicos-sustentam-credito-no-brasil-sob-endividamento-recorde-diz-goldman
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