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Juro do financiamento imobiliário vai subir em outros bancos? O que se sabe até agora
Publicado em: 29/10/2026 10:39
O Bradesco elevou em 3,3 pontos percentuais a taxa mínima de financiamento imobiliário, que passou de 11,69% para 15% ao ano, além da Taxa Referencial (TR). O piso de 13,6% ficou restrito ao segmento Private, voltado a clientes com patrimônio acima de R$ 10 milhões. Com 15%, a taxa ultrapassa o teto de 12% ao ano do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), fazendo a operação vigorar fora do sistema, no SFI, com taxas livremente negociadas. No dia 29, o Itaú anunciou alta de sua taxa mínima para 12,95% ao ano, partindo de 11,99% mais TR, movimento que também leva a operação acima do teto do SFH. Juntos, os dois bancos privados respondem por 41,4% do crédito imobiliário com recursos da poupança entre janeiro e agosto. A carteira de crédito imobiliário para pessoa física do Bradesco cresceu 5,8% em 12 meses até setembro, enquanto o saldo de poupança do banco — principal fonte de recursos para o financiamento habitacional — caiu cerca de 4,5% no mesmo período, situando os dois montantes em patamar próximo de R$ 118 bilhões. Para continuar emprestando, o banco recorre a Letras de Crédito Imobiliário e Letras Imobiliárias Garantidas, cujo custo é estimado próximo de 12% ao ano, muito acima do custo da poupança. O próprio balanço do Bradesco cita um "mercado de crédito mais restrito" e um custo de crédito "pressionado e sensível ao cenário macro"; o spread líquido com clientes recuou de 4,5% para 4,2% no trimestre. O banco afirmou, em nota, que atualizou as taxas máximas de suas linhas imobiliárias em função do aumento das taxas de juros de mercado, com condições finais negociadas individualmente. A operação acima de 12% ao ano tem efeito regulatório: parte dos recursos captados na poupança precisa ser direcionada ao crédito imobiliário, e, segundo assessores ouvidos pela reportagem, o banco deixa de ter acesso a vantagens e multiplicadores previstos para operações dentro do SFH na transição das regras da poupança. Em nota, o Itaú justificou o ajuste pela necessidade de refletir as condições atuais de captação e preservar a sustentabilidade das operações. O Santander afirmou que acompanha os indicadores econômicos e avalia os impactos do cenário; Caixa e Banco do Brasil não comentaram, em período de silêncio por divulgação de resultados. Do lado da demanda, juros mais altos reduzem o crédito acessível para a mesma parcela. Em simulação para um financiamento de R$ 500 mil em 30 anos pelo SAC, a parcela inicial sobe cerca de 20%, de aproximadamente R$ 6.020 para R$ 7.250; mantido o limite de R$ 6.000 por restrição de renda, o valor financiado cai para cerca de R$ 415 mil, 17% a menos. Cada ponto percentual adicional na taxa eleva a parcela entre 6,5% e 9% para o mesmo valor financiado. Como o enquadramento no SFH é condição para usar recursos do FGTS na compra ou na amortização, operações fora do sistema impedem esse recurso. A Abrainc estima que, a cada alta de 1 ponto percentual na taxa, cerca de 1,3 milhão de famílias ficam fora do mercado imobiliário. Os reajustes atingem linhas com recursos da poupança, usadas principalmente em imóveis de médio e alto padrão; o Minha Casa, Minha Vida, operado quase integralmente pela Caixa, tem taxas subsidiadas e fica de fora. Setores ouvidos apontam maior pressão no médio padrão e no alto padrão, com estoques em crescimento e vendas menores, enquanto o luxo tenderia a sofrer menos. A dificuldade de repasse — etapa em que o saldo devedor do comprador passa da incorporadora ao banco — já vinha aumentando no ano e deve se acentuar, com risco concentrado em quem comprou na planta e precisará financiar o saldo na entrega das chaves, em 2027. No médio e alto padrão, 21% das vendas brutas foram canceladas no primeiro semestre de 2026, o maior percentual desde 2020. Do lado da oferta, o Bradesco respondeu por 16,2% dos R$ 132,5 bilhões concedidos em crédito imobiliário com recursos da poupança de janeiro a agosto, atrás de Caixa (48,6%) e Itaú (25,2%), seguido de Santander (7,8%).
FONTE ORIGINAL:
https://exame.com/mercado-imobiliario/juro-do-financiamento-imobiliario-vai-subir-em-outros-bancos-o-que-se-sabe-ate-agora
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