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Empresas temem que Reforma tributária pode comprometer capital de giro

Publicado em: 29/10/2026 10:06
Empresas temem que Reforma tributária pode comprometer capital de giro
A implementação das novas regras da reforma tributária pode pressionar o capital de giro das empresas ao condicionar o aproveitamento de créditos da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) ao recolhimento do tributo pelo fornecedor. Um levantamento da Roit, divulgado em 26 de outubro, identificou possíveis atrasos no uso de créditos tributários e estimou R$ 16,35 bilhões em valores que podem não ser recuperados como crédito ao longo de um ano. Segundo o estudo, diferenças nos ciclos de faturamento podem atrasar em até 33 dias a utilização dos créditos, prazo que pode chegar a 63 dias quando há inadimplência do parceiro comercial. A análise abrangeu 65 grupos empresariais e 295 mil fornecedores, responsáveis por R$ 608,8 bilhões em compras anuais. Os valores citados são projeções do levantamento e não representam perdas confirmadas para todas as empresas. A mudança altera a dinâmica financeira das operações, uma vez que o comprador poderá ter de aguardar o recolhimento do tributo pelo fornecedor para utilizar o crédito correspondente. Se a empresa pagar por uma compra antes de conseguir aproveitar o crédito tribário, poderá precisar manter mais recursos disponíveis para cobrir despesas. O descompasso entre pagamentos, recebimentos e recuperação de créditos pode pressionar o caixa, sobretudo em negócios com margens reduzidas ou prazos mais longos de recebimento. O impacto dependerá das condições comerciais de cada operação, dos prazos de pagamento e do cumprimento das obrigações tributárias pelos fornecedores. Caso os valores não sejam recuperados como créditos nas situações avaliadas, também poderá haver reflexos nos custos de insumos e, consequentemente, nos preços de produtos e serviços. Na transição, também é discutido o split payment, mecanismo previsto na reforma para separar e direcionar o valor dos tributos ao Fisco no momento da transação financeira. Em análise publicada em maio pelo JOTA, o diretor-executivo e de Operações da Lumen IT, Régis Lima, destacou que a antecipação do recolhimento pode reduzir o intervalo que as empresas utilizam para administrar entradas e saídas de recursos — em vendas a prazo, por exemplo, a obrigação tributária pode ocorrer antes de o recebimento integral pela operação. O levantamento destaca 31 de dezembro de 2026 como prazo para as empresas ajustarem sistemas e procedimentos antes da próxima etapa da transição. A CBS começa a integrar o novo modelo em 2027, enquanto a implementação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) seguirá o cronograma previsto na legislação. Entre os objetivos declarados da reforma estão simplificar o sistema de impostos sobre o consumo, reduzir a cumulatividade, dar mais transparência à cobrança de tributos e uniformizar regras para facilitar o aproveitamento de créditos ao longo da cadeia produtiva.
FONTE ORIGINAL:
https://www.contadores.cnt.br/noticias/tecnicas/2026/10/29/empresas-temem-que-reforma-tributaria-pode-comprometer-capital-de-giro.html
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