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Crédito mais arriscado, oportunidade maior: o dilema da Creditas para 2027

Publicado em: 29/10/2026 09:00
Crédito mais arriscado, oportunidade maior: o dilema da Creditas para 2027
O cenário de crédito no Brasil deve ficar mais desafiador em 2027, com juros elevados, famílias pressionadas pelo endividamento e pouco espaço para expansão das concessões. Para a Creditas, segundo a reportagem, esse quadro atua como uma faca de dois gumes: aumenta o risco de inadimplência e, ao mesmo tempo, pode ampliar a demanda por financiamento com garantia real, segmento que é o carro-chefe da fintech. O fundador e CEO Sergio Furio classificou 2027 como "um ano para estar atento", avaliando que a desaceleração do crédito tende a evidenciar a procura por alternativas com taxas menores e prazos mais longos. Furio projeta que o crescimento do crédito no país pode ficar próximo de zero no próximo ano, com alguns segmentos registrando expansão abaixo da inflação. Diante do conservadorismo dos bancos, sua avaliação é que parte dos clientes pode trocar dívidas caras e de curto prazo por financiamentos garantidos por imóvel ou veículo. O executivo apontou que cerca de 70% das famílias têm um imóvel ou um veículo que não está sendo usado como garantia de operação de crédito, o que permitiria alongar prazos de pagamento e reduzir a taxa de juros. Para 2027, a empresa projeta crescimento próximo de 25% na carteira e na receita — ritmo que Furio considera acelerado diante das condições macroeconômicas, e menor do que o registrado no terceiro trimestre de 2026. Na divulgação do terceiro trimestre de 2026, a carteira de crédito somou R$ 8,5 bilhões, alta de 26,8% em 12 meses; a receita avançou 34,9%, para R$ 728,3 milhões; e as despesas operacionais somaram R$ 304,6 milhões, com crescimento de 5,8% no mesmo intervalo. Para 2027, a companhia espera deterioração na qualidade do crédito, mas projeta que a inadimplência não se traduza automaticamente em perdas financeiras, dada a presença de garantia real em boa parte das operações. Na avaliação de Furio, o sinal de alerta viria não apenas do atraso nos pagamentos, mas do impacto que eles podem ter sobre a margem bruta. No trimestre, a margem bruta recuou de 37,6% para 34,6%, redução que a fintech classifica como efeito contábil pontual, refletindo a menor contribuição da inflação para a correção dos contratos e a antecipação de provisões de crédito durante a expansão da carteira. Retirado esse processo, segundo Furio, a margem ficaria acima de 40%. O prejuízo operacional foi de R$ 53 milhões no trimestre, contra R$ 81,8 milhões um ano antes, queda de 35,2%; a empresa atingiu breakeven operacional em dezembro de 2023 e vem usando caixa para reinvestir no crescimento. Furio afirmou que é possível o lucro líquido aparecer no azul em 2027 e atribuiu ganhos de eficiência ao uso de inteligência artificial no relacionamento com clientes e em back-office: a receita anualizada por colaborador chegou a R$ 1,9 milhão no trimestre, ante R$ 1,7 milhão no trimestre anterior, alta de 68%, a partir de R$ 1 milhão no início de 2025.
FONTE ORIGINAL:
https://neofeed.com.br/startups/credito-mais-arriscado-oportunidade-maior-o-dilema-da-creditas-para-2027
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