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Para especialistas, endividamento recorde resulta de crescimento do crédito superior à renda das famílias

Publicado em: 30/10/2026 11:03
Para especialistas, endividamento recorde resulta de crescimento do crédito superior à renda das famílias
O endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro atingiu 50,1% da renda anual em agosto, o maior nível da série histórica do Banco Central, que inclui financiamento imobiliário. Sem esse componente, o indicador alcançou 31% da renda. O comprometimento mensal do orçamento familiar com o pagamento de parcelas também bateu recorde, subindo para 29%. A inadimplência das pessoas físicas — atraso superior a 90 dias — chegou a 8,1% em agosto, renovando o recorde. A taxa média de juros do crédito livre para pessoas físicas ficou em 62,4% ao ano, alta de 3,7 pontos em 12 meses, mesmo com o ciclo de corte da Selic, que se encontra em 13,75%. Para especialistas, o endividamento recorde resulta de um período em que o crédito cresce mais do que a renda das famílias. A pesquisadora associada do FGV Ibre Katherine Hennings aponta que medidas como o reajuste do Bolsa Família e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil ajudaram a impulsionar o consumo, combinadas com maior acesso ao crédito. A analista alerta que a alta da Selic iniciada em setembro de 2024 encareceu o crédito e que a queda dos juros ainda não chegou ao orçamento familiar. Os programas de renegociação de dívidas não inverteram a trajetória de alta. O Desenrola, lançado em julho de 2023, vigorou até maio de 2024, quando o endividamento ainda estava em 47,7%. Uma nova versão, encerrada em agosto deste ano, renegociou mais de R$ 22,4 bilhões em dívidas. A terceira etapa, anunciada em setembro, prevê compra de dívidas antigas pela União, com início dos acordos previsto para fevereiro de 2027 e expectativa de alcançar até 15 milhões de pessoas. Hennings avalia que a operacionalização do Desenrola 3.0 ainda apresenta incertezas quanto às modalidades de dívida cobertas e ao mecanismo de venda de carteiras com desconto para a União. A analista também destaca que os bancos permanecem cautelosos, dada a elevação da inadimplência e a imprevisibilidade sobre políticas econômicas, e que falta uma campanha de esclarecimento sobre modalidades de crédito e riscos de endividamento.
FONTE ORIGINAL:
https://www.tribunadosertao.com.br/financas/2026/10/30/1009826-para-especialistas-endividamento-recorde-resulta-de-crescimento-do-credito-superior-a-renda-das-familias
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