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Especialistas dizem que endividamento recorde é resultado de período de crédito maior do que renda
Publicado em: 30/10/2026 06:32
O endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro chegou a 50,1% da renda anual em agosto, 0,2 ponto percentual acima do mês anterior, segundo relatório do Banco Central divulgado na quinta-feira (29). É o maior nível da série histórica no dado que inclui financiamento imobiliário; sem essa modalidade, o indicador é de 31% da renda. O cálculo abrange financiamentos, empréstimos pessoais, crédito consignado e uso do cartão de crédito. No mesmo período, a inadimplência de pessoas físicas — atraso superior a 90 dias em qualquer parcela — atingiu 8,1% em agosto, renovando recorde. O comprometimento do orçamento mensal com o pagamento de dívidas subiu de 28,8% para 29%, também recorde da série iniciada em março de 2011. A taxa média do crédito livre para pessoas físicas foi de 62,4% ao ano em alta de 0,6 ponto percentual no mês e de 3,7 pontos em 12 meses. A Selic, que chegou a 15% ao ano no ponto mais alto da série após o ciclo de aperto monetário iniciado em setembro de 2024, está em 13,75%, e a queda ainda não se refletiu no orçamento das famílias, segundo o Banco Central. Para especialistas ouvidos pela reportagem, o endividamento recorde resulta de um período em que o crédito cresce mais do que a renda. A analista Katherine Hennings, do FGV Ibre e da BRCG Consultoria, aponta que medidas como o reajuste do Bolsa Família, o avanço do Minha Casa, Minha Vida e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil turbinaram o consumo, com mais acesso ao crédito elevando o endividamento. A consequência é que fatia crescente da renda vai para dívidas, muitas de curto prazo e sem garantia, pressionando o orçamento antes de despesas básicas. Os programas de renegociação de dívidas Desenrola — versões lançadas em julho de 2023, em maio deste ano e anunciadas em setembro — aparecem no texto como referência de atuação sobre a carteira de famílias. A nova etapa prevê a compra de dívidas antigas pela União para facilitar a renegociação com consumidores, com início dos acordos previsto para fevereiro de 2027. Hennings avalia que ainda falta clareza sobre a operacionalização do programa e quais modalidades de dívida serão cobertas, além de sinalização sobre a capacidade de pagamento da União, que tende a influenciar o nível de incerteza e os juros. A analista observa também que os bancos estão cautelosos diante do avanço da inadimplência e da imprevisibilidade sobre as políticas econômicas após o resultado das eleições. O crédito estaria desacelerando sem mudança de rota significativa, e a economia, se desacelerar, dificultaria o desalavancamento das famílias que continuam consumindo.
FONTE ORIGINAL:
https://www.folhape.com.br/noticia/amp/521489/especialistas-dizem-que-endividamento-recorde-e-resultado-de-periodo
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