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Para especialistas, o endividamento recorde é resultado de um período em que o crédito cresce mais do que a renda das famílias

Publicado em: 30/10/2026 00:00
Para especialistas, o endividamento recorde é resultado de um período em que o crédito cresce mais do que a renda das famílias
O endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro alcançou 50,1% da renda anual em agosto, alta de 0,2 ponto percentual no mês, segundo relatório do Banco Central. É o maior patamar da série histórica que inclui financiamento imobiliário. Sem considerar esse financiamento, o endividamento é de 31% da renda. No mesmo mês, a inadimplência das pessoas — atraso superior a 90 dias em qualquer parcela — atingiu 8,1%, renovando o recorde. O comprometimento da renda com o pagamento de parcelas subiu de 28,8% para 29% em agosto, novo recorde da série iniciada em março de 2011. O indicador mede o percentual do orçamento mensal destinado ao pagamento de dívidas, como financiamentos, empréstimos pessoais, crédito consignado e uso de cartão de crédito. O nível de endividamento chegou a recuar no início do terceiro mandato, até 47,7% em dezembro de 2023, ano em que foi lançado o programa Desenrola de renegociação. A partir de setembro de 2024, com o novo ciclo de aperto monetário e a Selic chegando a 15% ao ano — patamar mais alto da série, hoje em 13,75% —, o endividamento voltou a subir. Em maio deste ano, uma nova versão do Desenrola ofereceu descontos de até 90% para famílias com renda de até cinco salários mínimos e se encerrou no fim de agosto com mais de R$ 22,4 bilhões em dívidas renegociadas. Em setembro, foi anunciada uma terceira etapa, com compra de dívidas antigas pela União e início dos acordos previsto para fevereiro de 2027. Para especialistas ouvidos, o endividamento recorde resulta de um período em que o crédito cresceu mais rápido que a renda das famílias. Medidas como o reajuste do Bolsa Família, programas de habitação e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil teriam estimulado o consumo, ampliado pelo acesso a crédito. A consequência é que fatia crescente da renda vai para o pagamento de dívidas, muitas de curto prazo e sem garantia, pressionando o orçamento antes mesmo de despesas básicas — mesmo com o desemprego nas mínimas históricas. A taxa média do crédito livre para pessoas físicas foi de 62,4% ao ano em alta de 0,6 ponto percentual no mês e de 3,7 pontos em 12 meses, indicando que a redução da Selic ainda não se refletiu no orçamento das famílias. Analistas apontam cautela dos bancos diante da alta da inadimplência, da desaceleração do crédito e da imprevisibilidade sobre a política econômica após o resultado eleitoral. Há dúvidas quanto à operacionalização do Desenrola 3.0, inclusive sobre as modalidades de dívida cobertas, e quanto à sua capacidade de reduzir inadimplência e endividamento.
FONTE ORIGINAL:
https://oglobo.globo.com/google/amp/economia/noticia/2026/10/30/para-especialistas-o-endividamento-recorde-e-resultado-de-um-periodo-em-que-o-credito-cresce-mais-do-que-a-renda-das-familias.ghtml
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