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Lula 4: Empresas sob pressão enfrentam dívida elevada e expectativa de queda mais lenta dos juros
Publicado em: 01/11/2026 15:55
Juros elevados e incertezas sobre a condução das contas públicas podem deixar as empresas brasileiras ainda mais pressionadas. Caso não avancem soluções para conter o crescimento da dívida, o ritmo de queda dos juros pode ser comprometido, seja por uma queda mais lenta ou pela paralisação do corte da Selic — cenário que atinge diretamente a saúde financeira das companhias endividadas. Há estimativa de que mais de R$ 700 bilhões estejam em negociação com bancos e Fundos de Investimento em Direito Creditório (FIDCs), com o estoque elevado de dívida apontado como um dos maiores problemas atuais. Com juros nominais e reais nas alturas por bastante tempo, muitas empresas acumularam volume de dívida cujo custo compromete a geração de caixa. Um estudo de consultoria aponta que 26% das empresas de capital aberto não têm capacidade de pagar nem as despesas financeiras com a própria geração de caixa operacional, concentração na indústria de transformação e no comércio, setores também os mais alavancados, com dívida líquida/Ebitda três vezes superior à geração de caixa anual operacional. O diagnóstico remonta ao ciclo de queda de juros iniciado em 2016, que chegou ao menor patamar histórico em 2020 e estimulou empréstimos para investimento e expansão. A pandemia trouxe problemas de caixa mitigados por crédito, renegociações e medidas emergenciais, mas a reversão da política monetária agravou as contas de companhias altamente endividadas. O resultado tem sido uma onda de recuperações judiciais e extrajudiciais em setores como química, varejo, alimentos, transportes e metalurgia, com expectativa de que a lista aumente. Consultorias projetam expansão dos pedidos de recuperação judicial em oito cadeias produtivas analisadas, com efeitos do custo elevado do crédito levando de um a três trimestres para aparecer e a inadimplência se transformando mais adiante em insolvência. Para economistas, as empresas chegam ao fim do ano sob forte estresse financeiro, em um cenário de crédito restrito. A concessão de crédito depende, sobretudo, das expectativas futuras sobre a economia e sobre a política econômica do próximo governo. A avaliação é de que a renegociação ou renovação de dívidas a custos mais baixos depende de uma trajetória de juros que permita rolar a dívida a um custo razoável. As alternativas apresentadas como difíceis são renovar dívidas apenas a juros muito elevados, mantendo os negócios sob risco financeiro, ou não obter crédito e recorrer à recuperação judicial.
FONTE ORIGINAL:
https://www.estadao.com.br/economia/divida-elevada-e-expectativa-de-queda-mais-lenta-da-selic-deixam-empresas-sob-pressao-no-lula-4
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