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Chilli Beans pede recuperação extrajudicial de R$ 340 milhões

Publicado em: 01/11/2026 10:30
Chilli Beans pede recuperação extrajudicial de R$ 340 milhões
A rede Chilli Beans protocolou pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 340 milhões em dívidas com instituições bancárias. O plano prevê novos prazos e condições de pagamento, além de aporte de até R$ 50 milhões para financiar a reestruturação, e não inclui débitos com fornecedores, funcionários e demais parceiros. O acordo foi estruturado com Itaú, Akron Capital e Vega Asset como financiadores âncoras, em modelo descrito pela companhia como "financiamento apoiado pelos credores", com características semelhantes às de um financiamento DIP, porém costurado fora da Justiça. Descontos, carências e cronograma de quitação não foram detalhados, mantendo em aberto o desenho efetivo do acordo a ser submetido à homologação judicial. A deterioração financeira ganhou contornos públicos a partir de emissão de debêntures em fevereiro de 2025, quando a holding controladora captou R$ 100 milhões no mercado, com vencimento previsto para janeiro de 2029 e remuneração de CDI mais 3,9% ao ano, tendo o fundador como avalista. Em abril de 2026, a securitizadora convocou debenturistas para discutir vencimento antecipado do papel diante da ausência de demonstrações financeiras auditadas de 2025; parcelas de julho e agosto, que somavam R$ 16,5 milhões, não foram pagas, e em 30 de setembro foi declarado o vencimento antecipado com exigência de saldo de R$ 89 milhões. Nova assembleia suspendeu temporariamente a cobrança e estabeleceu prazo até 26 de outubro para acordo, após o qual o pedido foi protocolado. Em 31 de agosto, a empresa havia divulgado nota negando discussão sobre recuperação judicial e afirmando negociação amigável com os bancos. O fundador atribui a crise ao aumento dos juros, que atingiu os franqueados e encareceu a dívida da companhia, e ao salto da inadimplência da rede franqueada, que saiu de patamar histórico próximo de 3% e chegou a cerca de 22% no período pós-pandemia, recuando hoje para a faixa dos 4%. O faturamento passou de R$ 890 milhões em 2023 para R$ 1 bilhão em 2025, com expectativa de R$ 940 milhões para 2026, e a rede encolheu de cerca de 1.300 lojas no auge para aproximadamente 900 unidades franqueadas no Brasil, além de presença em mais de 14 países. A empresa mantém planos de expansão, com nove novos pontos de venda no Brasil e quatro unidades na América do Sul em outubro de 2026. O caso soma-se a 13 pedidos de recuperação judicial ou extrajudicial em 2026, incluindo Grupo Toky (Tok&Stok e Mobly, cerca de R$ 1 bilhão), Grupo Hortus/St Marche (R$ 574,3 milhões), Oncoclínicas (cerca de R$ 5,1 bilhões), Alliança Saúde (aproximadamente R$ 1,1 bilhão), Marabraz (cerca de R$ 140 milhões), Casas Bahia (R$ 17,3 bilhões), Braskem (cerca de US$ 10,9 bilhões) e Grupo Gennius/Habib’s (R$ 265,2 milhões). Especialistas apontam maior concentração no varejo de bens duráveis, atingido simultaneamente por dívidas mais caras e consumidores dependentes de parcelamento, e não enxergam risco sistêmico imediato, com ressalva de que parte dos casos já havia sido sinalizada. O ambiente macroeconômico segue restritivo: em setembro o Copom reduziu a Selic para 13,75% ao ano, em cenário de inflação ainda acima da meta. A recuperação extrajudicial é negociada diretamente entre empresa e credores e só depois submetida à Justiça para homologação, o que confere celeridade e concentra a decisão nos credores financeiros. A exclusão de fornecedores, funcionários e parceiros do plano reduz o impacto direto sobre esses grupos no curto prazo, sem eliminar a exposição indireta da renegociação bancária sobre investimento, estoque e expansão; estima-se ao menos 3.600 empregos vinculados às lojas no país, na maioria contratados por franqueados independentes. Para o consumidor, o processo não implica fechamento de lojas nem descontinuidade de produtos, com risco relevante na eventualidade de a homologação do plano fracassar ou de a reestruturação não conter a deterioração operacional. O caso reforça o padrão de empresas alavancadas no pós-pandemia que enfrentam o descompasso entre custo do dinheiro e geração de caixa.
FONTE ORIGINAL:
https://ver-o-fato.com.br/chilli-beans-pede-recuperacao-extrajudicial-de-r-340-milhoes
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