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Crédito em atraso atinge recorde de R$ 247,6 bilhões no primeiro quadrimestre de 2026
Publicado em: 09/07/2026 11:15
O volume de crédito em atraso há mais de 90 dias alcançou R$ 247,6 bilhões no Brasil no primeiro quadrimestre de 2026, maior valor desde o início da série histórica em 2004, segundo a FecomercioSP. O montante representa alta de 50,7% ante o mesmo período de 2025, quando somava R$ 164,3 bilhões. O crescimento equivale praticamente a todo o estoque de inadimplência registrado no país em 2018 (R$ 84,7 bilhões). O avanço ocorre em cenário de juros elevados e pressão sobre o orçamento das famílias. O endividamento familiar atingiu 49,9% em fevereiro — maior patamar da série do Banco Central — e o comprometimento da renda com dívidas chegou a 29,7%, com alta de 1,9 ponto percentual em 12 meses. Em fevereiro de 2026, cerca de 81,7 milhões de brasileiros (49,87% da população) possuíam dívidas em atraso, totalizando aproximadamente R$ 539 bilhões. O crescimento da inadimplência se espalhou por todas as regiões, com destaque para o Centro-Oeste (+69,3%) e o Norte (+62,7%). Entre os estados, Tocantins liderou a variação (+105%), seguido por Rio Grande do Sul (+95,7%) e Maranhão (+93,5%). A dependência da atividade agropecuária é apontada como fator relevante: a queda na rentabilidade do campo reduz a circulação de recursos e afeta a capacidade de pagamento de trabalhadores e negócios da cadeia. O endividamento também atinge empresas: 8,9 milhões de CNPJs estão inadimplentes, com micro e pequenas empresas entre as mais expostas. Diante do risco elevado, instituições financeiras tendem a adotar critérios mais rigorosos na concessão de crédito, o que pode encarecer o financiamento rural e limitar o acesso de empresas a novos recursos. Paralelamente, o governo federal estuda medidas contra o endividamento predatório, discutindo a responsabilidade das instituições na concessão e a capacidade de pagamento dos consumidores.
FONTE ORIGINAL:
https://obrasilianista.com.br/juliacarmo/credito-atraso-recorde-brasil/
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