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Superendividamento atinge 20,3 milhões de brasileiros e Banco Central endurece regras de crédito
Publicado em: 03/11/2026 15:26
O contingente de brasileiros em situação de endividamento de risco atingiu 20,3 milhões em junho de 2026, expansão de 75% na comparação com junho de 2021, equivalente a 17% de todos os tomadores de recursos registrados no Sistema Financeiro Nacional. O dado consta do Relatório de Estabilidade Financeira publicado pelo Banco Central no fim de outubro de 2026, acompanhado do anúncio de que a autoridade monetária planeja editar medidas complementares antes do término do ano corrente para frear a distribuição agressiva de crédito sem garantia no mercado doméstico. A deterioração do perfil de solvência das famílias atinge prioritariamente tomadores de crédito rotativo de cartão e pessoas com atrasos substanciais em compromissos bancários preexistentes. As intervenções regulatórias em gestação focarão as modalidades de financiamento que exibem inelasticidade em relação ao custo do dinheiro, mantendo trajetórias de crescimento acelerado mesmo sob patamares contracionistas de taxas de juros. A metodologia da autoridade monetária estabelece parâmetros objetivos para enquadrar um tomador na categoria de endividamento de risco, desvinculando o conceito da inadimplência pura e simples. O enquadramento depende do atendimento simultâneo a múltiplos critérios monitorados pelo sistema bancário nacional, combinando atrasos na quitação de parcelas, comprometimento elevado da renda com o serviço de dívidas financeiras, uso concomitante de linhas de alta liquidez e custo e renda domiciliar remanescente após o pagamento das obrigações. O avanço das modalidades desprovidas de garantia real ou consignação em folha reflete a transformação do ecossistema de originação de crédito, com digitalização de serviços financeiros e multiplicação de contas de pagamento ampliando o acesso a limites pré-aprovados em cartões e cheques especiais. A concentração desse endividamento nas faixas de menor renda impõe pressões orçamentárias desproporcionais e reduz o consumo de bens duráveis e semiduráveis. Em resposta à aceleração das métricas de vulnerabilidade, o regulador publicou diretrizes voltadas a elevar padrões de transparência e restringir a abordagem comercial predatória, com impacto direto na arquitetura de software e nos canais de atendimento das instituições. Entre as medidas estão ferramentas de bloqueio de publicidades e propostas ativas, consentimento prévio para ofertas a públicos classificados como vulneráveis, painéis digitais unificados de consulta de endividamento e restrições técnicas à oferta de crédito em jornadas operadas via Pix. Para tomadores enquadrados como endividados de risco, as abordagens autorizadas ficam limitadas a condições que aprimorem a posição financeira do devedor, como portabilidade e renegociação.
FONTE ORIGINAL:
https://brasilinovador.com.br/superendividamento-atinge-203-milhoes-de-brasileiros-e-banco-central-endurece-regras-de-credito
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