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‘Raízen foi agressiva em um momento ruim’, diz advogado sobre recuperação extrajudicial

Publicado em: 03/11/2026 11:08
‘Raízen foi agressiva em um momento ruim’, diz advogado sobre recuperação extrajudicial
A Raízen protocolou pedido de homologação de plano de recuperação extrajudicial na Justiça de São Paulo para reestruturar R$ 65,1 bilhões em dívidas financeiras. Segundo fato relevante divulgado ao mercado, credores que representam mais de 47% desse montante já aderiram à proposta, percentual suficiente para o ajuizamento do pedido. A empresa tem até 90 dias para obter as demais adesões necessárias à homologação. O advogado Matheus Henrique Chemite, especializado em recuperação de crédito e direito empresarial do escritório TGA Advogados, avaliou que "a Raízen foi muito agressiva num momento não muito bom". Segundo ele, a via extrajudicial escolhida pela companhia é menos agressiva do que uma recuperação judicial convencional, pois a empresa mantém o controle operacional enquanto negocia com os credores. Em uma recuperação judicial, afirmou, a companhia perderia o controle e seria nomeado um administrador para pagar a dívida ou, eventualmente, decretar falência. Na avaliação do advogado, o endividamento resultou de uma expansão além da capacidade financeira da companhia, com investimentos em novas usinas, etanol de segunda geração e ampliação da logística de distribuição sem estrutura adequada para sustentar os projetos. A Selic elevada, em torno de 15%, agravou o quadro. O plano de reestruturação deve incluir alongamento de vencimentos, redução de juros, eventual troca de dívida por participação acionária e venda de ativos para geração de caixa. Shell e Cosan, sócias da Raízen, já anunciaram aportes financeiros. Em nota oficial, a Raízen reforçou que o escopo da recuperação é estritamente financeiro e não envolve obrigações operacionais. Clientes, fornecedores, revendedores e demais parceiros seguem atendidos normalmente pelos contratos vigentes, e todas as operações da companhia continuam sendo conduzidas normalmente. A empresa estruturou a proposta em diálogo com credores, no âmbito da estratégia de otimização de sua estrutura de capital. Para Chemite, a Raízen passará por uma reestruturação, não por encolhimento. Ele considera limitado o risco de impacto no abastecimento de combustíveis no curto prazo, já que a recuperação afeta apenas a estrutura financeira, atingindo principalmente os bancos e o setor de crédito de energia. A médio e longo prazo, porém, não descarta algum efeito nos preços. Quanto às ações, asperdidas pelo endividamento, o especialista acredita em recuperação do papel a médio prazo diante do avanço nas negociações com credores e do suporte dos sócios.
FONTE ORIGINAL:
https://timesbrasil.com.br/empresas-e-negocios/energia/raizen-recuperacao-extrajudicial-divida-2026
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