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Custo dos juros da dívida rural sobe 191% em quatro anos, mostra Cepea

Publicado em: 03/11/2026 08:43
Custo dos juros da dívida rural sobe 191% em quatro anos, mostra Cepea
O custo anual dos juros sobre a dívida rural brasileira avançou 191% entre 2021 e 2025, passando de R$ 34 bilhões para R$ 99 bilhões em valores corrigidos pela inflação, segundo estudo do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP. No mesmo período, a taxa média das novas operações de crédito rural para pessoas físicas subiu de 6,3% para 12,2% ao ano. A inadimplência em operações rurais com parcelas vencidas há mais de 90 dias chegou a 9,7% em agosto de 2026, ante 0,77% em dezembro de 2022, o maior nível da série histórica do Banco Central iniciada em 2011. O levantamento aponta o avanço do crédito a taxas de mercado, que representava 5% das contratações rurais em 2013 e chegou a 40% em 2025. Em agosto, a inadimplência nessas operações era de 17,6%, contra 3,8% nas linhas com taxas controladas; embora respondeam por cerca de 43% do saldo das pessoas físicas, as operações a mercado concentravam aproximadamente 77% do saldo em atraso. A deterioração financeira também aparece na perda de rentabilidade do campo. Entre 2021 e 2025, os preços reais dos grãos recuaram 28%, enquanto os da pecuária avançaram 12%, e a renda do ramo agrícola passou de R$ 599 bilhões para R$ 539 bilhões em valores corrigidos. O custo dos fertilizantes ampliou a pressão sobre os produtores de grãos, com 29,1 sacas de soja necessárias em média em 2025 para comprar uma tonelada de fosfato diamônico, ante 16,7 sacas na média de 2010 a 2019. No mapa da inadimplência, Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso registraram taxas de 8,8%, 7,4% e 6,3%, acima de 15% no Maranhão e no Tocantins, e no Rio Grande do Sul o problema está concentrado em operações prorrogadas e renegociadas, em reflexo também das enchentes de 2024. Em agosto de 2026, a carteira problemática do crédito rural somava R$ 205 bilhões, ou 23,8% da carteira ativa de R$ 862,7 bilhões, incluindo R$ 105 bilhões em dívidas renegociadas, R$ 31 bilhões prorrogadas, R$ 48,5 bilhões inadimplentes e R$ 21 bilhões em atraso. O estudo cita ainda levantamento do Núcleo de Estudos em Operações e Transformações do Agronegócio (NEOT) com 517 pedidos de recuperação judicial no agronegócio no primeiro trimestre de 2026, sendo 212 de empresas como revendas de insumos, agroindústrias, usinas e companhias de logística e armazenagem. A Medida Provisória 1.376/2026, criada para facilitar a renegociação de dívidas rurais, alcançou R$ 5,98 bilhões até 5 de outubro, cerca de 5% dos R$ 120 bilhões estimados inicialmente pelo governo, segundo os pesquisadores do Cepea; apenas R$ 79 milhões foram destinados à renegociação de dívidas de investimento, 1,3% do total contratado. Para os autores, a resposta à crise não deve ser necessariamente um alongamento generalizado dos débitos, sendo preciso distinguir produtores com dificuldades temporárias de caixa daqueles cuja capacidade de geração de renda já não comporta o tamanho da dívida.
FONTE ORIGINAL:
https://www.biodieselbr.com/noticias/materia-prima/soja1/custo-dos-juros-da-divida-rural-sobe-191-em-quatro-anos-mostra-cepea
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