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“Master paraguaio”: entenda escândalo de US$ 167 mi do Ueno Bank

Publicado em: 04/11/2026 22:11
“Master paraguaio”: entenda escândalo de US$ 167 mi do Ueno Bank
O Ueno Bank, um dos maiores bancos digitais do Paraguai, entrou em processo de resolução após o Banco Central do país constatar que o índice de solvência da instituição havia caído para menos da metade do mínimo exigido pela legislação. A decisão retirou o controle da instituição de seus administradores e deixou cerca de 3 milhões de clientes temporariamente sem acesso às contas. Oito dirigentes foram detidos e 27 pessoas foram formalmente investigadas por suspeitas envolvendo empréstimos e outras operações com empresas relacionadas ao grupo controlador. A intervenção ocorreu depois que ajustes nos balanços, feitos durante um processo de regularização, revelaram deterioração patrimonial maior do que a anteriormente registrada. Interventores foram designados para verificar a situação patrimonial e preservar ativos. O episódio chama atenção pela velocidade da mudança: em março, o banco tinha classificação local AApy, indicativa de baixa expectativa de risco de crédito, e, após a intervenção, a nota recuou para Dpy, categoria destinada a instituições em forte deterioração financeira. A investigação se concentra em operações realizadas entre 2025 e 2026. Segundo a Promotoria, o banco teria concedido empréstimos e limites de crédito a empresas do mesmo grupo em condições que podem ter fugido dos padrões normais de análise de risco, com valores desproporcionais à capacidade financeira dos beneficiários, prazos extensos, ausência de garantias suficientes e problemas na documentação. Há ainda indícios de transferência de recursos para outras empresas do grupo em vez do destino informado na contratação. Os saldos pendentes das operações examinadas chegam a US$ 166,98 milhões, e a Promotoria afirma que a recuperação desses valores pode estar comprometida. Do lado do ativo ao público, a legislação paraguaia protege depósitos até 75 salários mínimos por depositante, com autoridades estimando que cerca de 97% dos depositantes estejam integralmente nessa faixa. O Banco Central anunciou um mecanismo emergencial para antecipar parte dos pagamentos, e o destino dos valores acima dos limites de garantia dependerá do processo de resolução e da recuperação de ativos. O banco mantinha, segundo o texto, entre US$ 800 milhões e US$ 850 milhões em dinheiro de instituições públicas, o que levou o caso também ao campo político. A reportagem traça semelhanças com o caso Master no Brasil, combinando crescimento acelerado, deterioração financeira identificada pelo regulador, suspeitas em operações de crédito, intervenção da autoridade monetária, dependência de fundo garantidor por parte dos clientes e investigações criminais envolvendo executivos. Em ambos, a crise avançou da esfera financeira para a política, embora os focos das apurações se distingam: no Ueno, o eixo está em empréstimos, sobregiros e movimentações de empresas relacionadas ao controlador; no Master, em carteiras de crédito consideradas fraudulentas e transações envolvendo o BRB.
FONTE ORIGINAL:
https://timesbrasil.com.br/mundo/master-paraguaio-escandalo-de-mais-de-us-167-milhoes-tem-queda-do-presidente-do-banco-central-dinheiro-de-clientes-bloqueado-e-protestos-pelo-pais
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