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Após BC manter Selic em 13,75%, Brasil segue com maior taxa de juro real do mundo
Publicado em: 04/11/2026 19:04
A decisão do Banco Central de interromper o ciclo de redução da Selic e manter a taxa básica em 13,75% ao ano deixou o Brasil na liderança mundial dos juros reais, com índice de 9,49%, o maior entre 40 economias analisadas. O cálculo considera as taxas de juros descontadas as expectativas de inflação para os próximos 12 meses. Segundo levantamento das consultorias MoneYou e Lev Intelligence, o Brasil permanece à frente de países tradicionalmente associados a juros elevados. A Turquia ocupa a segunda posição, com juros reais de 7,77%, seguida por Argentina (6,8%), Rússia (6,57%) e Colômbia (4,05%). No ranking das taxas nominais, que não descontam a inflação, o Brasil figura na quarta posição. A manutenção da Selic ocorre em cenário de volatilidade nos mercados financeiros, desvalorização do real diante do dólar e incertezas sobre a trajetória da política fiscal. Segundo o economista-chefe da MoneYou, Jason Vieira, o conflito entre Irã e Estados Unidos também alterou expectativas de inflação global, levando autoridades monetárias a posições mais cautelosas, enquanto pressões sobre ativos e a curva de juros reiteraram o conservadorismo de analistas e operadores. Para Sérgio Werlang, ex-diretor de Política Econômica do Banco Central, o patamar elevado dos juros reais está associado à trajetória da dívida pública em relação ao PIB, que atingiu 82,9% em setembro. Ele avalia que juros reais próximos de 10% por período prolongado têm consequências para a atividade econômica e para a capacidade de pagamento de famílias e empresas, citando inadimplência recorde de pessoas físicas e empresas em recuperação judicial. Solange Srour, diretora de macroeconomia para o Brasil da UBS, associa a liderança brasileira no ranking à condução das contas públicas e acrescenta fatores estruturais: baixa eficácia de parte dos mecanismos de transmissão da política monetária e fragilidade institucional que, em sua avaliação, aumenta o custo do crédito. Segundo ela, cerca de 44% do saldo de crédito do sistema financeiro corresponde a operações direcionadas, de menor sensibilidade às alterações da Selic. Srour aponta que insegurança jurídica, dificuldade de recuperar garantias e decisões judiciais que reescrevem contratos elevam o risco de emprestar e o spread bancário. Para ela, a redução estrutural dos juros exigiria mudanças nas regras de despesas obrigatórias, na composição do crédito e nas condições de segurança jurídica dos contratos.
FONTE ORIGINAL:
https://www.brasil247.com/economia/apos-bc-manter-selic-em-1375-brasil-segue-com-maior-taxa-de-juro-real-do-mundo
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