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IPCA-15 abaixo do esperado, mas 12 meses a 4,62%: o que pesa no Copom
Publicado em: 04/11/2026 15:43
**Contexto da decisão** O Copom define o rumo da Selic, hoje em 13,75% ao ano, com um conjunto de indicadores que aponta direções distintas conforme a janela de observação. O IPCA-15 de outubro marcou 0,32%, contra 0,44% na mediana das projeções do mercado, mas o acumulado em 12 meses subiu de 4,47% para 4,62%. **Trégua mensal, pressão anual** A leitura que organiza o dia é essa: o recorte mensal mostra trégua, o anual mostra pressão. Como a meta perseguida pelo Banco Central é definida sobre o IPCA cheio, e não sobre a prévia, o número de 12 meses pesa mais no debate do que a surpresa positiva do mês. **Composição do índice** A composição explica o resultado e, ao mesmo tempo, limita seu alcance. As passagens aéreas caíram e a energia elétrica recuou, dois itens que empurraram o índice para baixo; na direção oposta, a alimentação no domicílio e os combustíveis avançaram. Em oito dos nove grupos de despesas houve alta. Para a política monetária, o que importa é a disseminação: um alívio concentrado em poucos itens voláteis diz menos sobre a tendência dos preços do que uma queda espalhada pelos grupos. **Atividade e mercado de trabalho** O indicador de atividade usado como proxy do PIB avançou no mês, acima do esperado, mas recuou na comparação trimestral, descrevendo uma economia que cresce de um mês para o outro sem manter o ritmo ao longo do trimestre. No mercado de trabalho, a desocupação atingiu patamar baixo para o trimestre encerrado em setembro, o rendimento médio real habitual avançou em 12 meses e a massa de rendimentos ampliou a alta; no registro formal, o saldo de vagas ficou bem acima do projetado. **Janela para quem tem exposição** Para o investidor com posição em renda fixa, o teste é o da persistência: um único IPCA-15 mais fraco não altera o patamar da inflação acumulada em 12 meses, e a curva de juros tende a reagir mais ao conjunto — atividade perdendo ritmo e emprego firme — do que ao número isolado do mês. Na renda variável, um ambiente de Selic em dois dígitos e inflação ainda em elevação costuma pesar sobre empresas mais alavancadas e setores dependentes de crédito; do outro lado, emprego aquecido e renda em alta dão sustentação ao consumo corrente, sobretudo em serviços. O ponto de atenção indicado está na composição dos preços, não no número do mês.
FONTE ORIGINAL:
https://www.ativovirtual.com.br/avnews/artigos/ipca-15-abaixo-do-esperado-mas-12-meses-a-462-o-que-pesa-no-copom
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