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Crédito privado assume espaço deixado pelos bancos no Agro
Publicado em: 04/11/2026 07:00
O financiamento rural no Brasil passa por redimensionamento com a combinação de endividamento elevado, aumento da inadimplência e maior rigor das instituições financeiras na concessão de recursos. Nos três primeiros meses da safra 2026/27, o crédito rural utilizado pela agricultura empresarial, excluindo o Pronaf, somou R$ 107,1 bilhões, frente a R$ 159 bilhões no mesmo período do ciclo anterior, segundo dados do SICOR/Banco Central divulgados no Boletim de Desempenho do Ministério da Agricultura e Pecuária. A Cédula de Produto Rural (CPR) responde por 40% do total contratado até setembro, ante 46,9% em igual período do ciclo anterior. A inadimplência do crédito rural para pessoas físicas atingiu 8,7% em setembro de 2026, após recorde de 9,69% em agosto, conforme dados do Banco Central. A maior seletividade bancária tem deslocado produtores e empresas da cadeia do agronegócio para alternativas no mercado privado, beneficiando gestoras e casas especializadas em crédito. Segundo Pedro Da Matta, CEO da Audax Capital, o aumento da percepção de risco pressiona o custo do crédito para além da Selic, incorporando à precificação fatores jurídicos como a demora na retomada de garantias e os custos de execução. A Audax opera exclusivamente com pessoa jurídica, avalia operações com cerca de 40 critérios e reduziu sua exposição ao agronegócio de cerca de 70% para aproximadamente 30% a 35% da carteira. Gilson Bittencourt, vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do Banco do Brasil, aponta retração de aproximadamente 50% na agricultura empresarial, semelhante ao restante do mercado financeiro, atribuindo o recuo a menor demanda, aumento da inadimplência e maior percepção de risco, especialmente nas operações de custeio. No Pronaf, o banco registra crescimento de 1% em relação à safra anterior. O estresse financeiro do setor aparece também em recuperações judiciais: em maio de 2026, a Serasa Experian registrou 65 processos abrangendo 237 CNPJs, com a agropecuária em segundo lugar em pedidos, com 53 CNPJs. Para Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, os pedidos refletem efeitos acumulados de condições financeiras restritivas, custo de capital elevado e dificuldades de renegociação de dívidas. A Medida Provisória nº 1.376/2026 permite que produtores solicitem renegociação de dívidas junto às instituições financeiras até 12 de novembro de 2026, com R$ 14,34 bilhões em renegociações até outubro, segundo Banco Central e Frente Parlamentar da Agropecuária. Para Adenauer Rockenmeyer, conselheiro do Corecon-SP, a assimetria de informações sobre histórico de crédito, gestão, dados financeiros e regularidade documental permanece como barreira relevante à ampliação do financiamento privado no campo, ao lado de obstáculos relacionados a documentação de propriedades e garantias reais.
FONTE ORIGINAL:
https://capitalaberto.com.br/economia-e-financas/2026/11/credito-privado-assume-espaco-deixado-pelos-bancos-no-agro
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